Band Jornalismo

EUA resgatam Doutrina Monroe com foco na China e pressão sobre o Brasil

Departamento de Estado americano divulgou um vídeo de mais de cinco minutos com um recado claro: o domínio dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental não será questionado

Por Redação
REDAÇÃO

12/08/2026 • 09:59 • Atualizado em 12/08/2026 • 09:59

Sonia Blota
Redes Sociais:
Donald Trump

Donald Trump

REUTERS/Jonathan Ernst

Um dia após a China solicitar participação conjunta com o Brasil em uma consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelo governo Donald Trump, o Departamento de Estado americano divulgou um vídeo de mais de cinco minutos com um recado claro: o domínio dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental não será questionado.

Compartilhar

A peça faz alusão direta à Doutrina Monroe e resgata intervenções históricas de Washington no continente, como a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962. O material cita ainda a operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, classificando a ação como um sinal explícito aos países da região.

No governo Trump, a estratégia ganhou uma nova roupagem apelidada informalmente de “Doutrina Donroe”.

O que foi a Doutrina Monroe?

Formulada em 1823 pelo então presidente James Monroe, a diretriz estabelecia que qualquer ação de potências estrangeiras — sobretudo europeias — no continente americano seria interpretada como uma ameaça à paz e à segurança dos EUA. Em troca, Washington prometia não se envolver nos conflitos europeus, colocando-se, na prática, como tutor do continente.

Depois disso, outros presidentes reinterpretaram a doutrina de acordo com os interesses de seus governos. Em 1904, por exemplo, Theodore Roosevelt determinou que os Estados Unidos poderiam interferir nos assuntos internos de nações latino-americanas caso elas não cumprissem suas obrigações internacionais.

E agora, o atual presidente, Donald Trump, quer reintroduzir essa política na região.

Se, anteriormente, a intenção era blindar o continente contra os europeus e, depois, contra os soviéticos, agora o alvo é a China — a potência que ameaça a hegemonia americana no mundo.

A imigração e o tráfico de drogas também aparecem como temas centrais para a segurança dos Estados Unidos.

O reflexo no Brasil e na geopolítica regional

Enquanto boa parte da América Latina deu uma guinada à direita e fortaleceu laços com a Casa Branca, o Brasil enfrenta um momento de crise com Washington. Washington vem aumentando a pressão, e o último episódio foi o cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti — uma medida que, na linguagem diplomática, representa uma forte demonstração de insatisfação política.

Líderes dos dois países, de diferentes correntes ideológicas, vêm usando esse atrito para tentar obter dividendos políticos, sem medir as consequências. E acabam se esquecendo das relações históricas entre Brasil e Estados Unidos.

Independentemente de gostar ou não de Trump, e de rechaçar qualquer interferência política na região, a diplomacia precisa entrar em jogo. Porque, diante do cenário que se apresenta, é preciso tentar extrair o melhor possível dessa relação — e evitar que uma crise política se transforme em um problema maior para o Brasil.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber