
Jorge Messias
Daniel Estevão/AscomAGU
Resumo
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal enfrenta forte resistência, especialmente da bancada evangélica, após a maioria dos seus senadores recusar encontro solicitado por Messias e manifestar desconforto com posições recentes da AGU.
A condução da sabatina marcada para 10 de dezembro tornou-se turbulenta devido à insatisfação do senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que criticou publicamente o governo por não ter sido consultado e se tornou peça central no impasse, dificultando a articulação política no Congresso.
A rejeição de grupos influentes como a bancada evangélica e aliados de Alcolumbre aumenta o risco de derrota da indicação, cenário considerado inédito desde a redemocratização, enquanto o governo tenta reconstruir pontes e Messias busca apoio individualmente entre senadores.
A tentativa do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, de reduzir resistências à sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) sofreu um revés nesta semana.
O AGU procurou o presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para solicitar um encontro com a bancada. Mas o movimento encontrou uma barreira sólida: segundo Viana, após ligar para os 17 senadores que integram o grupo evangélico no Senado, a maioria disse não querer receber o indicado de Lula.
A resistência aprofunda o desgaste em torno da escolha para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que decidiu se aposentar antecipadamente do Supremo — uma saída pessoal, tomada antes de completar a idade limite de 75 anos prevista pela Constituição.
A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça está marcada para o dia 10 de dezembro, mas o processo se tornou rapidamente um dos mais turbulentos da atual gestão.
O centro do impasse é o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e figura determinante na condução da sabatina. Alcolumbre demonstrou forte irritação com o Planalto por não ter sido consultado previamente sobre o nome. No domingo, divulgou uma nota pública expressando descontentamento com o que chamou de “pressões externas”, gesto interpretado no Congresso como um recado direto ao governo.
A manifestação acendeu o alerta no Planalto e escancarou as dificuldades da articulação. Aliados de Alcolumbre têm afirmado que Messias não reúne hoje os votos necessários para ser aprovado no plenário. A rejeição da bancada evangélica — um dos grupos mais organizados e influentes — reforça essa percepção. Senadores do bloco dizem desconfiar de posições recentes da AGU em pautas de costumes e relatam ausência de diálogo prévio.
Ao mesmo tempo, o governo tenta reconstruir pontes. Emissários do Planalto intensificaram conversas com diferentes grupos do Senado e buscaram retomar canais com Alcolumbre, que segue como o principal fiador ou sabotador da sabatina. Apesar disso, até gestos simples, como o pedido de encontro de Messias com os evangélicos, têm enfrentado resistência.
A recusa majoritária ao diálogo foi interpretada dentro do governo como um sinal de que a crise é mais profunda do que se estimava — e de que o risco de derrota, algo inédito em indicações ao Supremo desde a redemocratização, precisa ser considerado com seriedade.
A equipe de Messias segue tentando reduzir ruídos, conversando individualmente com senadores e oferecendo garantias sobre sua futura atuação na Corte. Mas, a menos de uma semana da sabatina, cresce a avaliação de que a disputa deixou de ser apenas sobre um nome e se tornou um teste de força entre o Planalto e o grupo comandado por Alcolumbre.
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