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Governo admite que pode enviar projeto em urgência para reduzir jornada 6x1

Ministro diz que governo pode propor fim da escala 6x1 se negociações no Congresso travarem

Da redação com Agência Brasil
DA REDAÇÃO COM AGÊNCIA BRASIL

03/03/2026 • 15:00 • Atualizado em 03/03/2026 • 15:03

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta terça-feira (3), em São Paulo, que o governo Lula pode enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência para mudar regras da jornada de trabalho, caso as discussões atuais sobre o fim da escala 6x1 e a redução de horas semanais não avancem na velocidade considerada adequada.

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Pelo mecanismo de urgência constitucional, Câmara dos Deputados e Senado têm 45 dias cada para votar a proposta; se o prazo expirar sem deliberação, a pauta de votações fica trancada até que parlamentares concluam a análise do texto.

Marinho relatou que o tema está em debate com as presidências das duas Casas. Segundo ele, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se comprometeu a dar andamento tanto às Propostas de Emenda à Constituição (PECs) quanto aos projetos de lei já em tramitação sobre jornada e descanso.

O ministro destacou que um projeto de lei tende a avançar mais rapidamente que uma PEC. "Evidentemente que o PL pode ter uma velocidade maior que o da PEC. (...) O governo não descarta, a depender da conversa entre o presidente Hugo Motta e o presidente Lula, mandar um projeto de lei em urgência", afirmou.

Redução de horas e fim da escala 6x1

Uma das PECs em discussão no Congresso propõe ampliar de um para dois dias o descanso mínimo semanal, preferencialmente aos sábados e domingos, e reduzir de 44 para 36 horas o limite de trabalho semanal, sem contar horas extras. Hoje, a Constituição prevê jornada de até oito horas diárias e 44 horas por semana.

Na avaliação de Marinho, é possível avançar gradualmente. "Nesta fase, acredito sinceramente que é plenamente possível reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. E, portanto, isso pode levar à condição de acabar com a escala 6x1", declarou, chamando o fim do modelo de "grande sonho" de milhões de trabalhadores do comércio e de serviços.

O ministro frisou que a prioridade do governo é a redução da jornada e que essa mudança, em sua opinião, já deveria ter ocorrido. Ele também reiterou que o Executivo não discute, neste momento, oferecer compensações tributárias às empresas como contrapartida para a medida.

"O pressuposto para a compensação é o aumento da produtividade", afirmou. Para Marinho, não faz sentido cogitar incentivos fiscais apenas pela redução da jornada parcial. Ele defendeu que empresários, trabalhadores e sindicatos colaborem para melhorar o ambiente laboral, com investimentos em tecnologia e prevenção de acidentes e doenças, o que, segundo ele, eleva a produtividade.

Caged aponta criação de 112 mil vagas formais em janeiro

Na mesma entrevista, o ministro divulgou os dados de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O Brasil registrou saldo positivo de 112.334 novos postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos.

Apesar do ganho, foi o pior desempenho para meses de janeiro desde 2024, quando o saldo ficou em 173.127 vagas. Marinho atribuiu a desaceleração à taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano. "Cantamos essa bola desde 2004. O ritmo do juro praticado ia levar a uma diminuição da velocidade [da criação de novos empregos]", disse.

De acordo com o Caged, quatro grandes setores geraram empregos em janeiro, com destaque para a indústria, que abriu 54.991 vagas. Construção civil (50.545), serviços (40.525) e agropecuária (23.073) também tiveram saldo positivo, enquanto o comércio fechou 56.800 postos. No acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o estoque de empregos formais cresceu em 1.228.483 vínculos.

Salário médio de admissão tem alta real

O levantamento mostrou ainda que o salário médio real de admissão em janeiro foi de R$ 2.289,78, alta de R$ 77,02 em relação a dezembro do ano passado, já descontada a inflação do período.