
O que os dados dizem sobre o sono dos brasileiros
A dificuldade para dormir virou um dos principais motivos de pesquisa dos brasileiros no Google. Segundo dados da Sala Digital, uma parceria da Band com o Google, o interesse por insônia na categoria de Drogas e Medicamentos atingiu o maior patamar da série histórica em 2025. Em dez anos, o aumento foi de 156% — um salto expressivo que aponta para um cenário de privação de sono cada vez mais comum no país.
Pode-se dizer que a busca não é apenas pela definição da insônia: ela revela uma tentativa real de encontrar alívio. Nos últimos anos, perguntas como “como dormir rápido?”, “como dormir bem?” e “como dormir com ansiedade?” dominaram as perguntas relacionadas a “como dormir” na ferramenta de busca, indicando que a população não está apenas curiosa — está exausta.
O sono virou um problema coletivo — e crônico
De acordo com a Sociedade Brasileira do Sono, cerca de 73 milhões de brasileiros sofrem de insônia em algum grau. O transtorno, que pode ser ocasional, agudo ou crônico, afeta diretamente a qualidade de vida, a concentração, a saúde mental e o desempenho profissional.
A Organização Mundial da Saúde já classifica a insônia como um problema de saúde pública. Estudos apontam que a privação de sono está associada ao aumento do risco de doenças como depressão, ansiedade, obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2.
Essa correlação se reflete no comportamento digital: desde 2011, as buscas por “como dormir rápido?” superam consistentemente as por “como dormir bem” ou “como dormir melhor”. O pico desse tipo de busca foi registrado em 2023, logo após os impactos mais intensos da pandemia de COVID-19 — um evento que agravou quadros de ansiedade, estresse e distúrbios do sono em todo o mundo, segundo a Fiocruz.
A busca por soluções rápidas: melatonina em alta
Diante da dificuldade para adormecer, muitos brasileiros recorreram à reposição da melatonina — hormônio produzido naturalmente pelo corpo, responsável por regular o ciclo do sono.
Em 2025, o interesse de busca por melatonina também bateu recorde no Google Trends. O crescimento em relação a 2010 foi de quase 2.000%, impulsionado, em parte, pela liberação da venda sem prescrição médica nas farmácias.
Apesar da popularidade, especialistas alertam: o uso de melatonina sem orientação profissional pode ser ineficaz ou até prejudicial. Entre os efeitos colaterais possíveis estão sonolência diurna, alterações no ritmo circadiano, cefaleia e agravamento de quadros de insônia.
Segundo a própria Sociedade Brasileira do Sono, a melatonina não é um sedativo nem deve ser encarada como uma solução universal para problemas com o sono. Sua eficácia depende do horário e da dose correta, e ela só deve ser utilizada com acompanhamento médico.
Insônia e saúde mental: um ciclo que se retroalimenta
As pesquisas também revelam um elo preocupante entre insônia e saúde emocional. Uma das perguntas mais feitas pelos brasileiros nos últimos cinco anos foi: “como dormir com ansiedade?” — o que reforça a relação entre transtornos ansiosos e distúrbios do sono.
Esse ciclo é desafiador: a ansiedade atrapalha o sono, e a falta de sono intensifica a ansiedade. Segundo a Associação Brasileira do Sono, até 40% dos casos de insônia crônica estão associados a transtornos psiquiátricos.
Além disso, a privação de sono afeta diretamente a produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, impactando o humor, a estabilidade emocional e o funcionamento do sistema imunológico.
Dormir bem não é um luxo: é um direito à saúde
A explosão de buscas por insônia e melatonina revela muito mais do que uma curiosidade digital — ela aponta para uma demanda urgente por qualidade de vida. O sono é um dos pilares da saúde, ao lado da alimentação e da atividade física.
Para quem sofre com a dificuldade de dormir, o mais indicado é procurar acompanhamento médico. Investigar as causas, construir uma rotina de higiene do sono e, se necessário, iniciar um tratamento personalizado podem fazer toda a diferença.
No fim das contas, o sono não é um capricho: é fisiológico, essencial, vital. Além disso, dormir bem não deveria ser um privilégio — deveria ser parte de uma vida mais equilibrada e possível.
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