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Irã diz que atacou base dos EUA no Kuwait e atingiu navios-tanques em Ormuz

Guarda Revolucionária relata uso de drones contra base aérea e afirma ter interceptado petroleiros em rota estratégica

Da redação
DA REDAÇÃO

31/07/2026 • 10:27 • Atualizado em 31/07/2026 • 11:30

Imagem de satélite mostra fumaça subindo da Usina de Dessalinização de Água e Energia de Subiya, em Subiya, no Kuwait

Imagem de satélite mostra fumaça subindo da Usina de Dessalinização de Água e Energia de Subiya, em Subiya, no Kuwait

Reuters

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou nesta sexta-feira (31) que realizou um ataque com drones contra sistemas de comunicação e depósitos de equipamentos usados por forças dos Estados Unidos na Base Aérea Ahmad Al-Jaber, no Kuwait, e que atingiu navios-tanque que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz.

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Ataque com drones no Kuwait

Segundo comunicado da IRGC divulgado pelo Telegram, o alvo no Kuwait exerce um papel central na estrutura militar dos Estados Unidos na região. A base Ahmad Al-Jaber é descrita como um local que teria um papel fundamental nas operações militares americanas e um centro vital de apoio aéreo.

De acordo com a organização iraniana, o ataque teve como objetivo atingir diretamente a capacidade de comando e controle das forças americanas, ao mirar sistemas de comunicação via satélite e depósitos de equipamentos. A IRGC apresenta a ação como parte de uma estratégia de represália às ofensivas que atribui a Washington contra alvos ligados a Teerã.

Os ataques decisivos, generalizados e em larga escala do exército e da IRGC tornaram a interceptação de drones e mísseis iranianos muito custosa e difícil para o inimigo, apesar do uso dos sistemas de defesa mais avançados e de seu reforço

Na visão da Guarda Revolucionária, a escolha do alvo e o emprego de drones e mísseis demonstram capacidade de projetar poder além das fronteiras iranianas e de alcançar o que o grupo descreve como elementos sensíveis da infraestrutura militar dos Estados Unidos.

Navios atingidos em rota considerada ilegal

No mesmo contexto, a IRGC afirmou que, nas primeiras horas desta sexta-feira, dois navios-tanque tentaram atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota classificada como não autorizada, sob escolta aérea dos Estados Unidos, e seguiram por um trajeto considerado inseguro e ilegal, apesar de avisos emitidos pelo Irã.

Segundo o comunicado, as embarcações "foram atingidas e interceptadas" pelas forças iranianas. A corporação informou ainda que outros quatro navios-tanque teriam alterado o curso e retornado ao ponto de origem após ignorarem advertências iniciais.

A Guarda Revolucionária declarou que alertou companhias de navegação e seguradoras para que não deem atenção aos comunicados do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) e advertiu que, conforme sua avaliação, as intervenções e ordens consideradas ilegais das forças americanas na região não ficarão sem resposta.

O texto não identifica as embarcações envolvidas nem informa suas bandeiras, proprietários ou a extensão dos danos provocados pelos ataques relatados.

Rotas estratégicas sob tensão

A Guarda Revolucionária é um dos principais braços militares e ideológicos do Estado iraniano e frequentemente assume a autoria de ações que apresenta como resposta à presença e à atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio. Nessas comunicações, o grupo costuma enfatizar que age em defesa de Teerã e contra o que classifica como agressões e interferência externa.

O Estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, e incidentes envolvendo navios-tanque na área costumam elevar a tensão regional e gerar preocupações em mercados de energia.

Paralelamente, a agência Bloomberg informou que seis navios-tanque sauditas alteraram sua rota na região do Estreito de Bab el-Mandeb, entre o mar Vermelho e o golfo de Áden, após ameaças do movimento houthi. Segundo a agência, o gesto evidencia o impacto do bloqueio marítimo anunciado pelo grupo contra embarcações ligadas à Arábia Saudita.

Ao ressaltar que seus ataques tornariam a interceptação de drones e mísseis custosa e difícil para o inimigo e ao criticar as orientações do Centcom, a IRGC procura enviar um recado político de que a pressão militar e as ofensivas atribuídas a Washington têm retorno direto em campos que o grupo considera estratégicos para as forças americanas.

Com informações do Estadão Conteúdo.