
Jaques Wagner
Lula Marques/ Agência Brasil
O senador Jaques Wagner (PT-BA) não deve permanecer na liderança do governo no Senado em 2026, segundo relatos de aliados e fontes com trânsito no Palácio do Planalto. O presidente Lula deve definir o substituto no início do próximo ano. O nome mais citado nos bastidores é o do senador Rogério Carvalho (PT-SE).
A gota d´agua para a saída de Wagner é atribuída a um desgaste interno provocado pela condução das negociações em torno do projeto que reduz penas de condenados pelos atos antidemocráticos. O texto avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, foi aprovado no plenário, apesar da resistência pública do governo.
Nos bastidores, o líder do governo no Senado teria articulado com a oposição para que a proposta não fosse barrada, em troca da votação de projetos econômicos de interesse do Planalto, que garantiriam cerca de R$ 20 bilhões adicionais aos cofres da União no próximo ano. A articulação, porém, gerou reação dentro do próprio governo.
Após a informação circular pelos corredores do Senado, a ministra Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política com o Congresso foi às redes sociais para negar qualquer acordo e afirmar que o governo votaria contra o projeto. No plenário, a proposta foi aprovada por 48 votos a 25, com uma abstenção. Os nove senadores do PT se posicionaram contra o texto, enquanto a oposição comemorou o resultado.
Nesta quinta-feira, o presidente Lula negou ter conhecimento de qualquer acerto e disse que a decisão sobre sancionar ou vetar o projeto já está tomada. “Se houve acordo com o governo, eu não fui informado. E, se o presidente não foi informado, não houve acordo”, afirmou. Segundo Lula, a redução de penas antes da conclusão dos julgamentos não é aceitável. “Na hora em que chegar à minha mesa, eu vetarei”, disse.
Apesar disso, a proposta pode entrar em vigor caso o Congresso convoque sessão para analisar vetos presidenciais e derrube a decisão do Planalto — o que deve ocorrer apenas no próximo ano legislativo.
Com a aprovação do texto, a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, poderia ser reduzida para 20 anos. O tempo em regime fechado, segundo cálculos feitos a partir da nova regra, cairia de seis anos e dez meses para dois anos e quatro meses.
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