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Jejum intermitente: benefícios, riscos e a verdade da ciência

A febre pelo jejum intermitente dispara no Brasil, mas especialistas alertam: sem orientação, a busca por milagres pode custar caro à saúde

Da redação
DA REDAÇÃO

28/08/2025 • 18:59 • Atualizado em 28/08/2025 • 18:59

Dietas da moda

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O Brasil vive uma verdadeira febre pela saúde. Olhe ao seu redor: redes sociais inundadas de histórias de emagrecimento rápido, perfis mostrando transformações “milagrosas” e a sensação de que, se você não aderir agora, está ficando para trás.

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Os números do Google Trends confirmam: o interesse de busca por “jejum” atingiu seu ponto mais alto na história na ferramenta de pesquisa, mais do que dobrando em apenas uma década. Enquanto isso, “jejum intermitente” explodiu, embora tenha apresentado um leve recuo desde seu pico em 2020.

Mas por trás dessa corrida pelo corpo perfeito, existe uma verdade incômoda: a pressa pelo emagrecimento e a busca desesperada por soluções milagrosas criam uma ilusão perigosa. É como se estivéssemos tentando atravessar um rio turbulento apenas pulando de pedra em pedra, sem ver a profundidade da água. Cada clique, cada busca, cada promessa de resultado rápido é uma pedra que pode parecer segura, mas que pode nos fazer cair.

Perguntas como “Jejum intermitente, como fazer?”, “Jejum intermitente emagrece?” e “Quais os benefícios do jejum intermitente?” dominam as buscas. Elas mostram o desejo humano universal de desacelerar o tempo, manter vitalidade, juventude e saúde.

Mas será que é possível transformar esses sonhos em realidade sem cair nas armadilhas que a própria pressa cria? A ciência surge como um farol no nevoeiro, iluminando tanto as vantagens quanto os riscos escondidos.

O canto da sereia: benefícios que encantam

O jejum intermitente é como um imã: a promessa de emagrecimento, longevidade e energia atraí milhões de pessoas todos os dias. Mas é preciso olhar com cuidado, porque nem tudo que brilha é ouro.

  • Emagrecimento e redução do IMC: o jejum força o corpo a usar reservas de gordura como combustível, ajudando a perder peso e reduzir medidas. Em estudos, intervenções de 12 semanas chegaram a reduzir até 4,77 kg em pacientes com diabetes tipo 2. É como dar ao corpo uma “faxina interna”, queimando o que sobra e preparando espaço para mais saúde;
  • Reset metabólico: melhora a sensibilidade à insulina, reduz colesterol e triglicerídeos, e ajuda a controlar a pressão arterial. É como recalibrar um motor antigo: quando feito corretamente, tudo começa a funcionar de forma mais eficiente;
  • Autofagia e longevidade: o jejum ativa a reciclagem celular, removendo resíduos e células danificadas, ajudando a retardar o envelhecimento e aumentar a longevidade. Imagine seu corpo como uma cidade antiga, cheia de prédios deteriorados; a autofagia é a equipe de reforma, reconstruindo estruturas e mantendo a cidade viva e funcional;
  • Saúde mental: estudos mostram que o jejum pode reduzir ansiedade e melhorar humor e sono. É como dar ao cérebro uma pausa, permitindo que ele reorganize suas energias e funcione de forma mais leve e clara;
  • Microbioma intestinal: favorece bactérias benéficas ligadas à longevidade e perda de peso. Pense no intestino como um jardim: cuidar das sementes certas faz toda a diferença na colheita futura.

Mas toda promessa milagrosa tem seu lado oculto. O jejum sem supervisão é como atravessar uma ponte estreita sobre um abismo: pode levar ao destino desejado, ou pode derrubar você no precipício. Especialistas alertam para:

  • Danificação celular e risco metabólico: pesquisas brasileiras mostram que, apesar de alguns efeitos positivos, o jejum prolongado pode prejudicar células intestinais e cerebrais, aumentar radicais livres, reduzir massa magra e elevar gordura visceral. É como tentar acelerar demais um carro antigo: o motor pode quebrar antes de você chegar ao destino;
  • Risco cardiovascular: limitar a alimentação a menos de 8 horas por dia pode aumentar em até 91% o risco de morte por doenças cardíacas;
  • Efeito sanfona e perda muscular: emagrecimento rápido pode ser revertido em gordura e comprometer massa magra. Especialmente para idosos, é como derrubar uma torre de blocos de madeira: cada peça perdida pode desestabilizar toda a estrutura;
  • Impactos físicos e mentais: privação prolongada pode causar queda de cabelo, constipação, anemia, desidratação, insônia, irritabilidade e perda de concentração;
  • Contraindicações: crianças, gestantes, lactantes, idosos frágeis e pessoas com doenças crônicas devem evitar sem supervisão profissional.

A ciência nos lembra: não existe fórmula mágica que funcione para todos. Cada corpo é um universo próprio, e o jejum, quando feito com orientação, pode ser transformador; feito sem cuidado, pode ser devastador.

Um profissional qualificado — nutricionista, nutrólogo ou endocrinologista — atua como um guia seguro na travessia do rio turbulento, ajudando a escolher o caminho certo.

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