O período de festas de fim de ano e o início do verão registram o maior índice de abandono de animais no Brasil. A prática, motivada frequentemente por tutores que desejam viajar e não têm com quem deixar seus animais de estimação, é crime e acarreta punições severas. A legislação atual prevê pena de dois a cinco anos de prisão para quem descarta animais, reforçada pela crescente identificação de criminosos por meio de câmeras de segurança.
Casos como o das cadelas Magnólia e Açucena, encontradas em uma estrada na última semana, ilustram o cenário de risco. Ambas, com menos de um ano de idade, foram resgatadas antes de sofrerem acidentes.
No entanto, nem todos os animais têm a mesma sorte. A cadela Bela, acolhida pela ONG Ajuda Animal, precisou ter uma pata amputada após ser abandonada em uma rodovia e sofrer um atropelamento.
Impactos na saúde pública e responsabilidade
Estima-se que existam cerca de 30 milhões de animais abandonados no país, sendo a maioria cães e gatos. Além do sofrimento animal, o abandono é tratado como um problema de saúde pública. Rosane Ramalho, presidente da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do CFMV, ressalta que animais errantes podem causar acidentes de trânsito, atacar pedestres e transmitir doenças, gerando complicações que envolvem toda a sociedade e os órgãos competentes.
A fundadora da ONG Ajuda Animal, Isabela Lacava, enfatiza que a adoção responsável é o pilar para a mudança dessa realidade. Segundo ela, um animal pode viver até 20 anos, e o tutor precisa ter a responsabilidade de garantir os cuidados durante todo esse período.
Para combater a prática, a orientação às testemunhas é coletar provas materiais, como fotos, vídeos e placas de veículos, para formalizar denúncias junto à polícia. O engajamento da sociedade é considerado essencial por Rosane Ramalho para auxiliar os órgãos públicos na coibição do abandono.
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