Jornal da Band

Advogados são presos por vazar dados do Ministério Público para o PCC

Suspeitos teriam acessado sistemas sigilosos com credenciais de um servidor para beneficiar criminosos e atrapalhar operações policiais no interior de SP

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

24/06/2026 • 19:33 • Atualizado em 24/06/2026 • 19:33

Dois advogados foram presos no interior de São Paulo sob a acusação de acessar ilegalmente sistemas do Ministério Público e vazar informações sigilosas de investigações para uma facção criminosa. A operação, que mira suspeitos de colaborar com o Primeiro Comando da Capital (PCC), concentrou suas ações em cidades da região de Ribeirão Preto.

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Os investigados foram identificados como Jonatas Alves Moraes e Guilherme Gilbertoni Anselmo. Segundo as autoridades, eles utilizavam credenciais obtidas indevidamente para acessar ordens judiciais e detalhes de investigações que ainda estavam sob sigilo, facilitando a fuga de criminosos e dificultando o cumprimento de mandados.

Detalhes do esquema

De acordo com as apurações, os advogados teriam conseguido acesso reiterado aos sistemas protegidos do órgão ao roubar a senha de um integrante da Promotoria. Em mensagens interceptadas durante a investigação, os suspeitos demonstravam conhecimento prévio sobre operações que seriam desencadeadas pela polícia, além de identificar alvos que seriam monitorados.

Essa troca de informações sensíveis teria permitido que integrantes da facção evitassem prisões e que provas fundamentais para processos criminais fossem ocultadas ou destruídas. A defesa de Jonatas Alves Moraes e Guilherme Gilbertoni Anselmo nega todas as acusações apontadas pelo Ministério Público.

Segurança e precedentes

O caso ocorre logo após outra ocorrência envolvendo falhas de segurança no órgão. No início deste mês, um ex-estagiário do Ministério Público foi preso sob a acusação de acessar informações confidenciais para praticar o crime de extorsão.

A recorrência desses episódios acende um alerta sobre a vulnerabilidade dos sistemas utilizados pelo Judiciário e pelo Ministério Público. Atualmente, o órgão trabalha para rastrear como a senha foi obtida e para determinar a extensão dos prejuízos causados às investigações em curso. O Ministério Público busca agora identificar quantas operações policiais foram frustradas ou prejudicadas pelo esquema de vazamento de dados. As apurações continuam para verificar se outros profissionais tiveram participação nas ações.