Jornal da Band

Apreensão de figurinhas falsas revive enredo de livro de quase 60 anos

Mais de 140 mil figurinhas e quase 3 mil álbuns falsificados já foram apreendidos nas últimas semanas só em São Paulo

Márcio Campos
MÁRCIO CAMPOS

11/06/2026 • 20:47 • Atualizado em 11/06/2026 • 21:14

A febre das figurinhas da Copa do Mundo saiu da roda dos amigos e virou assunto de polícia – e com um paralelo curioso com o mundo das artes.Publicado há 57 anos, "O Gênio do Crime", de João Carlos Marinho, narra a história de um grupo de crianças que investiga uma fábrica clandestina de figurinhas em São Paulo.A obra ganhou adaptação para o cinema lançada neste ano — e a realidade, desta vez, imitou a ficção com precisão desconcertante.

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No cinema, a trama gira em torno de um menino que completa o álbum com a cobiçada figurinha de Vinicius Junior, apenas para descobrir que ela era falsa.

Se na ficção o gênio do crime deu trabalho para ser desmascarado, no mundo real os falsificadores foram entregues por um erro primário: uma figurinha identificada como o número 15 do Brasil trazia a imagem de Neymar ao invés de Endrick – quem originalmente ocupa a posição.

O atacante do Santos não tinha cromo produzido porque foi convocado depois do lançamento do álbum. O equívoco foi o que permitiu à polícia comprovar a fraude.

Só em São Paulo, operações policiais das últimas semanas resultaram na apreensão de mais de 140 mil figurinhas e quase 3 mil álbuns falsificados, com duas pessoas presas. A equipe anti-pirataria do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) passou a investigar criminosos que encontraram nos cromos uma nova fonte de lucro ilegal – exatamente o tipo de esquema que o livro de Marinho retratou décadas antes de virar filme.

O delegado Wagner Carrasco, da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG/DEIC), responsável por ocorrências de pirataria, admite que o crime pegou as autoridades de surpresa.

"A questão da figurinha acaba sendo uma novidade pra nós, nós não vimos, por exemplo, casos de falsificação de figurinhas na Copa anterior", afirmou.

A febre que move o esquema é real e mensurável. O influenciador e colecionador Ricardo Lopes já investiu mais de R$ 15 mil em figurinhas e acumula sete álbuns só desta Copa. "É uma correria, fala com um, fala com outro, e quero completar tudo até o final da Copa", conta.