Uma auditoria da Cedae, a companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro, aponta um prejuízo de mais de R$ 200 milhões em aplicações da empresa em fundos do Banco Master. Os investimentos foram feitos depois de mudanças nas regras e mesmo com alertas de risco da área financeira.
Coincidências apontadas pela própria companhia de água e esgoto revelam o mesmo modo de operação no estado que mais investiu no banco Master, segundo a polícia federal: mais de R$ 3 bilhões.
Relatório da Cedae aponta que o aporte no banco de Daniel Vorcaro aconteceu no mesmo mês do investimento feito pelo rioprevidência, o fundo de pensões e aposentadorias de servidores do estado, e que os dois órgãos mudaram regras para viabilizar aplicações que beneficiaram o Master.
A apuração interna da Cedae traz uma cronologia dos fatos. Dias depois de um jantar em Nova York. Entre o então governador Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, representantes do Master foram à Cedae. Cerca de três meses depois, a companhia aprovou uma nova política de investimentos e flexibilizou critérios de risco, abrindo caminho para um investimento de mais de R$ 220 milhões no Master.
Quando os alertas sobre a situação do Master já eram conhecidos internamente, a recomendação dentro da Cedae já era reduzir o risco. Mas, segundo o relatório, a diretoria financeira decidiu manter o investimento.
Em maio do ano passado, um pedido de resgate de R$ 44 milhões foi cancelado por orientação de um assessor da diretoria. Depois que o banco central barrou a venda do Master ao BRB, a própria área financeira da cedae passou a defender a retirada total dos recursos.
Com a situação do banco já crítica, o então diretor financeiro da companhia, Antônio Carlos dos Santos, se reuniu pessoalmente com Daniel Vorcaro em São Paulo para discutir alternativas. Oito dias depois, o Master entrou em liquidação extrajudicial, e a Cedae passou a considerar o investimento milionário como perdido.
em nota, o ex-diretor financeiro da Cedae disse que tem uma vida profissional pautada pela ética e responsabilidade técnica. Em nota, Cláudio Castro disse que não participa da política de investimentos da Cedae e que não interferiu nas decisões da companhia. O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro rejeitou por 3 votos a 1 as contas de 2025 do ex-governador Cláudio Castro, e cita perdas por aplicações do estado no Banco Master. O parecer segue para a Assembleia Legislativa para uma decisão final.
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