Uma estimativa da polícia do Rio de Janeiro aponta que bandidos na favela da Rocinha tem mais de 1,5 mil fuzis, quantidade maior do que a usada na maioria dos batalhões da PM que tem a missão de combater o crime.
Em junho deste ano, o drone da polícia flagrou 400 criminosos fugindo de um cerco. Quase todos estavam munidos de armamentos de guerra. Imagens obtidas pelo Jornal da Band mostram o chefe do bando da Rocinha, John Wallace, conhecido como Johnny Bravo, foragido há anos, circulando na favela cercado por um exército do crime.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Rio, 1,5 mil fuzis estão nas mãos dos traficantes da Rocinha. O arsenal é sete vezes maior do que a quantidade média em um batalhão da polícia militar.
“Para organizações criminosas, o fuzil é uma arma estratégica. Como uma arma de guerra permite que as facções ocupem, dominem esses territórios de facções rivais. Outro fator importante é que a quantidade de fuzis dentro de uma comunidade serve também como demonstração de poder”, disse José Ricardo Bandeira, especialista em segurança pública, ao Jornal da Band.
Mesmo sem produzir armas e munições, o Rio de Janeiro é o estado que mais apreende fuzis em todo o país. Apenas neste ano, 322 foram retirados das ruas. O número representa quase a metade do armamento apreendido no Brasil.
A polícia conhece bem as rotas mais usadas pelo tráfico: armas que entram no Brasil pelos vizinhos na América do Sul, ou desmontadas e enviadas dos Estados Unidos escondidas em cargas.
“Essas organizações criminosas que dominam territórios estão se tornando cada vez mais centro de distribuição de armas e munições. Daí a quantidade de armas e fuzis nas comunidades. Uma facção forte consegue vender armamento, fuzis, munições para outras facções", completou o especialista.
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