Jornal da Band

Bandidos pagam R$ 100 mil por mês para se esconder no Rio de Janeiro

Investigação revela que Comando Vermelho cobra altas taxas em armas e dinheiro para oferecer abrigo em favelas; média de prisões de foragidos é de uma por dia

LAILA HALLACK

16/01/2026 • 23:42 • Atualizado em 16/01/2026 • 23:42

Investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelam um esquema de aluguel de esconderijos em comunidades fluminenses voltado para criminosos de outros estados. Segundo a apuração, integrantes de facções chegam a pagar valores que variam entre R$ 80 mil e R$ 100 mil mensais para obter proteção e utilizar a estrutura logística do Comando Vermelho (CV). Esse pagamento é frequentemente repassado à liderança local em forma de armamentos e dinheiro em espécie.

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Um levantamento exclusivo da Polícia Civil, realizado a pedido da Band, indica que, em média, um foragido de outra região do país é preso diariamente no estado. Entre setembro de 2024 e o início de 2026, as autoridades capturaram 515 traficantes de fora do território fluminense em solo carioca. A maioria dos detidos possui ligação direta com o CV e ocupa posições estratégicas na hierarquia da organização.

O Rio de Janeiro como esconderijo estratégico

Com mais da metade das comunidades do estado sob o controle do Comando Vermelho, o Rio de Janeiro tornou-se um refúgio para alguns dos criminosos mais procurados do Brasil. As favelas oferecem um ambiente onde lideranças do crime organizado podem articular, financiar e ordenar ações violentas em seus estados de origem, mesmo estando a quilômetros de distância.

A presença de criminosos "estrangeiros" é expressiva em operações de larga escala. Em outubro do ano passado, durante uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, as autoridades constataram que um terço dos quase 100 presos era oriundo de outros estados.

Prisões recentes e cooperação interestadual

Nesta sexta-feira (16), a polícia prendeu Jean Carlos Jovita, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho na Bahia. Ele é investigado por diversos crimes, incluindo o assassinato de um policial militar em seu estado de origem. A captura de Jovita é parte de uma série de ações recentes que resultaram na prisão de bandidos de Goiás, Piauí, Mato Grosso e Alagoas apenas na última semana.

A concentração de foragidos no Rio de Janeiro intensifica os desafios da segurança pública local, exigindo maior integração entre as polícias civis de diferentes estados para desarticular os fluxos financeiros e táticos que sustentam o intercâmbio entre facções criminosas.

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