
'Beto Louco' propõe delação premiada sobre o PCC no setor financeiro
Band TV
Dois brasileiros incluídos na lista da Interpol e atualmente foragidos na Líbia, no norte da África, negociam um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo. Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Mourad, conhecido como "Primo", deixaram o país após entrarem na mira da Polícia Federal e de promotores paulistas. A proposta de delação ocorre em um cenário de dificuldades de cooperação internacional devido aos conflitos internos e fronteiras frágeis do país africano.
Na tentativa de viabilizar o acordo, Beto Louco promete detalhar a infiltração do crime organizado no mercado financeiro e no setor de combustíveis. Segundo o empresário, o esquema bilionário contou com a participação de magistrados, servidores do estado de São Paulo e policiais civis. Para dar sustentação às denúncias, a defesa entregou aos promotores documentos e dezenas de aparelhos celulares que conteriam provas dos crimes relatados.
A estrutura da Operação Carbono Oculto
As investigações da Operação Carbono Oculto apontam que a dupla é peça-chave na estratégia do PCC para lavar dinheiro. O esquema teria utilizado cerca de mil postos de combustíveis para movimentar mais de R$ 50 bilhões em apenas quatro anos. O montante é fruto de uma combinação de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de capitais.
Além do setor de combustíveis, o setor financeiro também está sob suspeita. Fintechs localizadas na Avenida Faria Lima, o principal centro financeiro do país, são investigadas por suposta participação na ocultação de recursos ilícitos. De acordo com o Ministério Público, Beto Louco era o responsável por gerir as empresas de fachada, enquanto Mourad atuava como parceiro estratégico nas operações.
Condições para a homologação do acordo
Uma tentativa anterior de delação foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República no ano passado, pelo fato de envolver autoridades com foro privilegiado. Agora, um dos pontos decisivos para o prosseguimento das conversas é o compromisso de devolução de recursos aos cofres públicos, considerada uma das exigências mais rígidas para este tipo de colaboração.
As defesas dos investigados negam qualquer ligação com o crime organizado. A palavra final sobre a aceitação dos termos da delação premiada caberá à Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo, que avalia o potencial das provas entregues e a relevância das informações para o desmantelamento da estrutura financeira da facção criminosa.
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