Jornal da Band

Cientistas da USP investigam DNA de centenários para descobrir segredo da longevidade

Pesquisa no Centro do Genoma Humano busca "genes protetores" em indivíduos com mais de 100 anos; objetivo é replicar a resistência genética para promover o envelhecimento saudável

Giba Smaniotto
GIBA SMANIOTTO

15/11/2025 • 19:43 • Atualizado em 15/11/2025 • 19:43

Cientistas brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) estão investigando o DNA de pessoas com mais de 100 anos de idade para tentar descobrir o segredo da longevidade excepcional.

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A pesquisa, realizada no Centro do Genoma Humano da universidade, busca identificar os chamados “genes protetores” que, no futuro, poderão ajudar a população a viver mais e com mais qualidade.

Pesquisadores estão coletando amostras de sangue de centenários e analisando o material genético em busca de genes determinantes para o envelhecimento saudável. A bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP, explica o foco do estudo:

“Por que a gente quer estudar essas pessoas? Porque eles têm genes de resistência. Eles têm genes que a gente chama de genes protetores”, afirma Mayana Zatz. Ela ressalta que esses genes parecem ser independentes do ambiente e dos hábitos, citando que muitos desses indivíduos “fumaaram a vida inteira ou bebem, comem de tudo, [e] estão muito bem, obrigada”.

A partir do material genético desses idosos, que demonstram ter saúde de ferro, os cientistas buscam replicar linhagens e compartilhar esses "super-genes" com pessoas que não têm uma saúde tão robusta.

Corrida global pela longevidade

O aumento da população mundial com mais de 65 anos impulsiona o investimento de empresas de biotecnologia em estudos para retardar o envelhecimento.

Recentemente, o tema da longevidade ganhou destaque internacional quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, foram flagrados conversando sobre como seria possível atingir os 150 anos.

A expectativa de vida na China já é de 79 anos, um número quase seis anos acima da média mundial, que é de 73,5 anos. Em Shenzhen, no sul do país, um laboratório está desenvolvendo uma pílula com um composto encontrado no extrato da semente de uva. A empresa chinesa aposta que, em um período de cinco a dez anos após o lançamento, será possível erradicar o câncer.

No entanto, a busca pelo elixir da juventude tem uma longa história, sendo perseguida há mais de 2 mil anos na China, uma das civilizações mais antigas do mundo.

O que se sabe, até o momento, é que viver bem por longos anos ainda depende fundamentalmente de qualidade de vida, incluindo alimentação saudável, exercícios e um bom sono.

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