Jornal da Band

Conheça o adido: cargo que paga R$ 100 mil é 'prêmio' no governo brasileiro

Posto pode ser ocupado por servidores federais ou militares; função ganhou visibilidade durante troca de governo

FILIPE PEIXOTO

13/01/2023 • 20:02 • Atualizado em 14/01/2023 • 12:02

É possível trabalhar para o governo brasileiro morando no exterior e ganhando R$ 100 mil, sem passar pelo concurso de diplomatas. Se quer saber como, é só dar a sorte de ser convidado para o cargo de adido. O posto pode ser ocupado por funcionários federais ou militares.

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Na teoria, o adido deve ter conhecimento especializado que os diplomatas não possuem, para atuar em questões pontuais com outro país. Na prática, o cargo é visto como espécie de ‘prêmio’, concedido para funcionários públicos com boa relação com quem está no poder.

Para Marcílio Marques Moreira, ex-embaixador, seria uma espécie de troca, por favores passados ou benefícios que se espera no futuro. “É uma distorção das políticas públicas”, cita.

A função ganhou visibilidade na troca de governo. Na última semana de mandato, Jair Bolsonaro criou novos adidos para a Receita Federal, para atuar em Paris, Bruxelas e Abu Dhabi. Rubens Barbosa, também ex-embaixador, sente que não faz sentido o aumento dos adidos. “Eu acho que não tem muito sentido essa proliferação de adidos, porque a embaixada tá lá fora pra fazer isso, entendeu?”, explica.

Mas apesar da criação dos adidos, ao assumir o Ministério da Fazenda, Fernando Haddad extinguiu os cargos. O ministério informou que a criação estava "dissociada de justificativas" e "gerou fortes dúvidas quanto a sua instrumentalização".

Atualmente, o Brasil possui hoje 118 adidos. 75 são civis e trabalham para órgãos como Ministério da Agricultura, Polícia Federal é Abin, Agência Brasileira de Inteligência. Outros 43 adidos são militares, podendo ser vinculado ao Exército, à Marinha ou à Aeronáutica.

O cargo de adido é criado por meio de um decreto do presidente da república, a pedido de algum ministério. Marcílio explica que é preciso ter prestação de contas. “É preciso que o trabalho que eles desenvolvam sejam de conhecimento da população brasileira, dos órgãos de controle, não só pra justificar, mas para que a população reconheça a importância desses quadros, que são quadros temporários, no universo das relações exteriores”, pontua.