Jornal da Band

Consumidores da Hurb acumulam prejuízos e fundador é considerado foragido

Com mais de 40 mil queixas no Procon-SP, consumidores enfrentam dificuldades na Justiça enquanto João Ricardo Mendes entra na mira da Interpol

JULIANO DIP

10/04/2026 • 19:31 • Atualizado em 10/04/2026 • 19:31

Milhares de consumidores em todo o país enfrentam prejuízos financeiros e emocionais após a compra de pacotes de viagem da empresa Hurb, antiga Hotel Urbano. Mesmo os clientes que recorrem ao Poder Judiciário encontram dificuldades para reaver os valores investidos, uma vez que as decisões favoráveis esbarram na falta de patrimônio da companhia para o pagamento das indenizações.

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No estado de São Paulo, o volume de insatisfação é expressivo, com mais de 40 mil queixas registradas no Procon. O cenário é ilustrado por relatos de consumidores que, ao tentarem acessar os serviços para destinos internacionais como Orlando e Las Vegas, encontram o site e o aplicativo da empresa fora do ar. Segundo o advogado do consumidor Arthur Rollo, as ações judiciais ganhas pelos clientes acabam paradas aguardando a identificação de bens, já que a empresa não está oficialmente em regime de recuperação judicial ou falência.

Polêmicas e situação legal do fundador

A crise da operadora de viagens é acompanhada por uma série de problemas jurídicos envolvendo seu fundador, João Ricardo Mendes. O histórico recente de Mendes inclui uma detenção no Rio de Janeiro no ano passado, sob suspeita de furto de obras de arte em estabelecimentos comerciais, ocasião em que foi liberado posteriormente.

Em janeiro de 2026, o empresário foi novamente detido no aeroporto de Jericoacoara, no Ceará, ao tentar embarcar com documentos falsos e com a tornozeleira eletrônica descarregada. Após ser solto em audiência de custódia com medidas cautelares, Mendes teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por descumprimento das determinações judiciais.

Localização e cooperação internacional

Atualmente, João Ricardo Mendes é considerado foragido da Justiça brasileira. Devido à sua situação legal, existe um pedido para a inclusão de seu nome na lista da Interpol, a polícia internacional, visando sua localização e captura.

Enquanto o processo criminal avança contra o fundador, os consumidores, como a analista de inteligência Tatiane Barros — que relata um prejuízo familiar superior a R$ 15 mil —, enfrentam a frustração de não ter perspectivas de ressarcimento. A orientação jurídica é que, apesar das dificuldades de execução, o consumidor mantém o direito de ingressar com ações para garantir o título judicial.