Jornal da Band

Dia dos candidatos: Lula acena aos evangélicos, e Flávio enaltece o agro

Zema e Caiado articulam e mantêm em suspenso possibilidade de formarem chapa única

Da redação
DA REDAÇÃO

09/06/2026 • 20:41 • Atualizado em 09/06/2026 • 20:41

O dia dos pré-candidatos à Presidência da República foi agitado nesta terça-feira (10). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou suas atividades no Palácio do Planalto, onde assinou um decreto voltado à segurança privada e fez uma autocrítica sobre a articulação do governo junto ao Congresso. Paralelamente, nomes da oposição marcaram presença em eventos do setor agropecuário e debateram possíveis alianças e palanques para o pleito que se aproxima.

Compartilhar

Lula mira eleitorado evangélico

Durante o evento realizado no Palácio do Planalto, o presidente Lula abordou a complexa relação do Poder Executivo com o Legislativo, marcada recentemente por derrotas significativas em votações na Câmara e no Senado. O chefe do Executivo reconheceu que, além das críticas externas ao Congresso, o governo precisa aprimorar sua comunicação interna.

Muitas vezes a gente critica a Câmara, critica o Senado, mas a gente sabe que muitas vezes também falta habilidade nossa de convencer as pessoas, falta habilidade nossa de conversar com as pessoas certas. --Lula

Além da agenda institucional, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta aberta destinada ao eleitorado evangélico. O movimento busca reduzir a resistência deste segmento e aponta que os governos petistas sempre mantiveram uma postura de respeito às instituições religiosas, defendendo que a fé não deve ser utilizada como instrumento de divisão na sociedade.

Oposição mobilizada no agronegócio

Em outro movimento, o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, marcou presença na 20ª edição da Bahia Farm Show, no interior da Bahia. O senador aproveitou o palco para destacar o papel econômico do campo e desferir críticas à atual gestão federal.

"Aqui o agro não produz apenas soja, milho e algodão; produz esperança. Quando a gente vê a força do produtor rural, fica ainda mais claro que, sim, o Brasil tem futuro. O que falta é um governo à altura da nossa gente", disparou o parlamentar, que utilizou o contraste entre a taxação tributária e a produtividade no setor como mote de seu discurso.

Divergências em Minas Gerais

Em São Paulo, o clima entre os aliados de direita também revelou desafios de composição. O governador de Minas Gerais e pré-candidato à reeleição, Romeu Zema, minimizou declarações recentes de seu aliado Mateus Simões, que teria sugerido que seria conveniente para sua campanha se Zema não disputasse a presidência ou ocupasse a vaga de vice de Flávio Bolsonaro.

Quem acompanhou a fala toda sabe que isso é uma mera conjugação, uma mera idéia. O mundo perfeito sempre existe nas nossas cabeças e, para mim, o mundo perfeito seria ser candidato único também. Isso para mim não afeta em nada, continuo dando o meu total apoio a ele. --Mateus Simões

A questão central, no entanto, permanece sendo a formação de palanques nos estados. Caso decida manter o apoio a Zema, Simões corre o risco de perder uma aliança com Flávio Bolsonaro na disputa estadual, visto que o senador estuda abraçar a candidatura de Cleitinho, que atualmente lidera as pesquisas locais.

Caiado evita polêmicas sobre chapa

Também participando de um encontro com líderes do agronegócio em São Paulo, o pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, preferiu não se aprofundar sobre as discussões em torno de uma possível união de candidaturas da direita em uma chapa única com Zema.

Para Caiado, o foco das discussões políticas deve ser o que ele identifica como demandas urgentes da sociedade brasileira. "Esse assunto é um assunto que caminha até o dia da convenção. A população quer saber se nós vamos combater o crime e a corrupção; são as duas demandas que hoje chegam a quase 70% da demanda da população no Brasil", avaliou o pré-candidato.