Jornal da Band

Dia dos presidenciáveis tem acordo de Lula e ofensiva contra Flávio

Enquanto o petista destravava propostas no Senado, Caiado e Kassab miravam Flávio Bolsonaro para capitalizar votos no campo conservador

CAIÃ MESSINA

14/08/2026 • 19:45 • Atualizado em 14/08/2026 • 20:05

A disputa dos candidatos ao Planalto teve nesta sexta-feira (14) como principal movimento o acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para retomar no Congresso três propostas prioritárias ao governo às vésperas da eleição.

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Foram três conversas em menos de dez dias e o resultado agradou ao Planalto. O presidente e o parlamentar não tinham qualquer contato desde quando Senado barrou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), há quatro meses.

As pautas destravadas são o fim da escala de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto que cria o Marco Legal de Minerais Críticos e Terras Raras. A prioridade da campanha de Lula é o fim da escala 6x1, mas o acordo que tirou o texto da gaveta não garante a votação no ritmo que o candidato à reeleição deseja.

A proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sem data para votação final no plenário. Alcolumbre sinalizou que a decisão deve ficar para depois das eleições e enfrenta reação de empresários em razão do impacto econômico. Já a PEC da Segurança depende de acordo com os governadores.

Em entrevista a um podcast, Lula também falou sobre um tema que deve ser explorado pela oposição na campanha: as investigações da Polícia Federal sobre denúncias de tráfico de influência atribuídas ao filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O presidente afirmou que, se o filho jura que não fez nada, deve reagir e brigar, e disse que orienta quem o procura com qualquer denúncia a ir à luta se for inocente e a contratar um advogado se for culpado.

“Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue. Não se covarde. Brigue. Todo mundo que vem conversar comigo, que tem qualquer denúncia, eu falo: ‘Olhe só, você sabe a verdade?’ É isso aí. Vai. Se você é inocente, vá à luta. Se você é culpado, contrate um advogado”, disse o presidente.

Flávio Bolsonaro (PL) passou o dia em agendas fechadas. O comando de sua campanha avalia que a confusão envolvendo a filiação dele ao partido Missão foi superada, até porque a chapa já foi registrada normalmente pelo PL.

O plano de governo lançado nesta quinta (13) menciona 22 vezes a administração do pai como modelo de gestão. Flávio defende limites à atuação monocrática de ministros do Supremo, prevê a redução da maioridade penal para 16 anos e cita o equilíbrio fiscal para reduzir juros e inflação, sem detalhar medidas.

Ronaldo Caiado (PSD) prepara a logística do início da campanha ao Planalto, com uma caravana por cinco cidades de Goiás, no entorno do Distrito Federal. O ex-governador participou de um encontro com empresários em São Paulo ao lado do vice na chapa.

Em discurso, Gilberto Kassab direcionou o alvo a Flávio, numa estratégia para capitalizar para Caiado os votos da direita, ao afirmar que partidos do Centrão estão com Lula e que a chance do candidato do PL vencer a disputa é zero.

Em uma rede social, Flávio ironizou que sempre teve claro que os demais candidatos que se dizem de direita seriam "todos contra o PT".

Renan Santos (Missão) teve reuniões internas. O partido entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os registros de computador para tentar identificar o autor da fraude na filiação de Flávio à legenda. Já Romeu Zema (Novo) teve um encontro com produtores rurais de Montes Claros, no norte de Minas.