A Polícia Federal está investigando um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e por sua esposa, Ester Bezerra. Diante do avanço das investigações da PF na chamada Operação Miragem e das suspeitas crescentes de manipulação e operações irregulares na gestão da carteira, o Governo do Estado de São Paulo decidiu suspender, por tempo indeterminado, a concessão de novos créditos consignados para policiais militares por meio do banco.
Alerta de fraude e rombo estimado em R$ 8,5 bilhões
A decisão da administração paulista ocorre apenas um ano após a autorização do serviço e foi motivada pelos fortes indícios de crimes financeiros que culminaram, há três semanas, no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão pela PF. Segundo os investigadores, o rombo nos cofres do Banco Digimais pode atingir a marca de R$ 8,5 bilhões.
O cerco judicial provocou uma onda de desconfiança no mercado financeiro. Em um movimento de proteção, diversos clientes e investidores iniciaram uma retirada em massa de fundos e ativos da instituição, temendo o desaparecimento ou bloqueio definitivo dos recursos aplicados.
Histórico de controle e aportes insuficientes
As investigações da Polícia Federal apontam que a instituição, originalmente conhecida como Banco Renner, passou a ser controlada por uma holding vinculada ao Grupo Record. Pouco tempo depois, Edir Macedo e Ester Bezerra assumiram o controle direto do banco.
Sob a nova gestão, o Digimais teria adotado práticas financeiras consideradas temerárias pelas autoridades reguladoras. Para tentar estancar a crise institucional e a sangria de depósitos, Edir Macedo e a esposa realizaram um aporte emergencial superior a R$ 2 bilhões na instituição por meio do Grupo Record. Contudo, o montante bilionário não foi suficiente para estabilizar a saúde financeira da empresa ou frear as investigações em curso.
Paralelos com o caso do Banco Master
A Polícia Federal aponta que o modus operandi e as práticas adotadas pela diretoria do Digimais guardam profundas semelhanças com as fraudes executadas no extinto Banco Master, que era controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso.
A ação recente da PF reflete o desdobramento de uma fiscalização contínua sobre o setor, visto que o histórico do Digimais já acumulava relatórios internos apontando indícios de manipulação de balanços e simulação de operações de crédito para inflar os resultados da empresa.
Posicionamento oficial da instituição
Procurada para se manifestar sobre a Operação Miragem e a suspensão dos contratos de crédito consignado em São Paulo, a defesa do Banco Digimais declarou publicamente que a instituição financeira está colaborando integralmente com os trabalhos das autoridades e da Polícia Federal. Em nota oficial, a diretoria assegurou que o banco permanece funcionando e operando estritamente dentro das normas e regulamentações do Banco Central.
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