Jornal da Band

PF faz nova investigação de fraude em banco de Edir Macedo

Governo de SP suspende consignado de PMs com banco Digimais, que pertence ao bispo, após suspeita de irregularidades; ação da Polícia Federal apura rombo bilionário e repete cerco a crimes financeiros

SANDRO BARBOZA

16/07/2026 • 20:43 • Atualizado em 16/07/2026 • 20:43

A Polícia Federal está investigando um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e por sua esposa, Ester Bezerra. Diante do avanço das investigações da PF na chamada Operação Miragem e das suspeitas crescentes de manipulação e operações irregulares na gestão da carteira, o Governo do Estado de São Paulo decidiu suspender, por tempo indeterminado, a concessão de novos créditos consignados para policiais militares por meio do banco.

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Alerta de fraude e rombo estimado em R$ 8,5 bilhões

A decisão da administração paulista ocorre apenas um ano após a autorização do serviço e foi motivada pelos fortes indícios de crimes financeiros que culminaram, há três semanas, no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão pela PF. Segundo os investigadores, o rombo nos cofres do Banco Digimais pode atingir a marca de R$ 8,5 bilhões.

O cerco judicial provocou uma onda de desconfiança no mercado financeiro. Em um movimento de proteção, diversos clientes e investidores iniciaram uma retirada em massa de fundos e ativos da instituição, temendo o desaparecimento ou bloqueio definitivo dos recursos aplicados.

Histórico de controle e aportes insuficientes

As investigações da Polícia Federal apontam que a instituição, originalmente conhecida como Banco Renner, passou a ser controlada por uma holding vinculada ao Grupo Record. Pouco tempo depois, Edir Macedo e Ester Bezerra assumiram o controle direto do banco.

Sob a nova gestão, o Digimais teria adotado práticas financeiras consideradas temerárias pelas autoridades reguladoras. Para tentar estancar a crise institucional e a sangria de depósitos, Edir Macedo e a esposa realizaram um aporte emergencial superior a R$ 2 bilhões na instituição por meio do Grupo Record. Contudo, o montante bilionário não foi suficiente para estabilizar a saúde financeira da empresa ou frear as investigações em curso.

Paralelos com o caso do Banco Master

A Polícia Federal aponta que o modus operandi e as práticas adotadas pela diretoria do Digimais guardam profundas semelhanças com as fraudes executadas no extinto Banco Master, que era controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso.

A ação recente da PF reflete o desdobramento de uma fiscalização contínua sobre o setor, visto que o histórico do Digimais já acumulava relatórios internos apontando indícios de manipulação de balanços e simulação de operações de crédito para inflar os resultados da empresa.

Posicionamento oficial da instituição

Procurada para se manifestar sobre a Operação Miragem e a suspensão dos contratos de crédito consignado em São Paulo, a defesa do Banco Digimais declarou publicamente que a instituição financeira está colaborando integralmente com os trabalhos das autoridades e da Polícia Federal. Em nota oficial, a diretoria assegurou que o banco permanece funcionando e operando estritamente dentro das normas e regulamentações do Banco Central.