Jornal da Band

EUA apuram vazamento de informação privilegiada antes da trégua de Trump

Movimentações milionárias ocorreram minutos antes de anúncio sobre o Irã; órgãos reguladores foram acionados nos EUA e Reino Unido

EDUARDO BARÃO

24/03/2026 • 19:44 • Atualizado em 24/03/2026 • 19:44

O mercado financeiro internacional reagiu com euforia e suspeição às recentes declarações do governo americano sobre o conflito com o Irã. Em um movimento brusco, o preço do barril de petróleo despencou logo após o presidente Donald Trump anunciar uma pausa nos ataques, garantindo lucros milionários para investidores que apostaram na queda da commodity.

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No entanto, o timing e o volume dessas operações levantaram dúvidas sobre o uso de informação privilegiada. Dados analisados pelo jornal Financial Times revelam que, apenas 15 minutos antes do anúncio oficial, centenas de milhões de dólares foram movimentados em contratos ligados ao petróleo, sem que houvesse sinais públicos de avanço nas negociações.

Números revelam disparada atípica

Segundo o levantamento, o montante negociado em ativos de petróleo saltou para cerca de 580 milhões de dólares entre 7h49 e 7h50 da manhã. O recuo estratégico de Trump só foi tornado público às 8h04.

  • Petróleo WTI: o volume de contratos negociados passou de 730 para mais de 2 mil, somando 170 milhões de dólares;
  • Petróleo Brent: referência global, registrou 1,6 mil contratos comprados em apenas um minuto, totalizando 150 milhões de dólares.

A rapidez da queda no preço - que chegou a 14% imediatamente após a fala presidencial - beneficiou diretamente quem se posicionou pouco antes da divulgação, alimentando a tese de que alguns investidores tiveram acesso antecipado à decisão da Casa Branca.

Investigação e órgãos reguladores

Analistas de mercado destacam que a movimentação chama atenção pela falta de indicadores que apontassem para uma aproximação entre Estados Unidos e Irã naquele momento, já que o governo iraniano negava qualquer diálogo com os americanos.

Diante do cenário, órgãos reguladores dos Estados Unidos e do Reino Unido foram acionados para investigar possíveis lucros ilegais. Em nota, a Casa Branca afirmou que não tolera o uso de informação privilegiada para ganhos financeiros. Até o momento, as entidades reguladoras não se pronunciaram oficialmente sobre o início de processos administrativos.