A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito sobre um crime brutal que vitimou três pessoas da mesma família em janeiro deste ano. O ex-policial militar Cristiano Domingues Francisco é acusado de assassinar a ex-mulher, Silvana Germann de Aguiar, e os pais dela, Isail e Dalmira. O suspeito utilizou ferramentas de inteligência artificial (IA) para clonar a voz da ex-esposa e atrair os sogros para a morte.
De acordo com a denúncia enviada ao Ministério Público, a cronologia do crime aponta que as mortes ocorreram entre os dias 24 e 25 de janeiro. Após assassinar Silvana, Cristiano utilizou um aplicativo de IA para replicar a voz da vítima e enviar mensagens de áudio do próprio celular dela. A estratégia visava criar emboscadas para os pais da mulher, simulando situações de emergência doméstica para que eles se deslocassem até locais controlados pelo agressor.
Emboscada tecnológica e motivação financeira
A investigação aponta que a motivação para o triplo homicídio foi uma disputa em torno do patrimônio da família, que possui um estabelecimento comercial na cidade de Cachoeirinha.
O esquema para atrair os sogros foi detalhado pela polícia. No dia 25 de janeiro, Isail, pai de Silvana, recebeu um áudio falso no qual a "filha" relatava um suposto curto-circuito em sua residência e pedia ajuda imediata. No áudio gerado por IA, a voz clonada dizia: "Oi mãe, oi pai, é a Silvana... um fio de luz entrou em curto aqui na sala de casa e quase pegou fogo, pede para o pai vir aqui em casa me dar uma ajuda". Induzido pela mensagem, Isail foi até a casa da filha, onde foi morto.
Na sequência, o ex-PM dirigiu-se à residência da mãe de Silvana, Dalmira. Para convencê-la a abrir o portão, Cristiano utilizou novamente a inteligência artificial. Em um novo áudio, a voz simulada afirmava que Isail não havia conseguido resolver o problema elétrico e que o ex-genro iria até lá para ajudar. "O pai não conseguiu resolver aqui. Daí o Cristiano vai arrumar. Eu liguei para ele", dizia o trecho usado para enganar a idosa.
Indiciamento e desaparecimento dos corpos
Apesar do indiciamento por homicídio, os corpos de Silvana, Isail e Dalmira ainda não foram localizados pelas autoridades gaúchas. No entanto, a Polícia Civil afirma não ter dúvidas de que todos foram executados, baseando-se nas provas técnicas e no monitoramento das ações do suspeito.
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