Jornal da Band

Famílias de policiais militares mortos em serviço denunciam abandono

Parentes relatam falta de suporte psicológico e institucional após a perda de seus entes queridos, que morreram no cumprimento do dever

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

24/06/2026 • 22:09 • Atualizado em 24/06/2026 • 22:12

A perda de um policial militar no exercício da profissão desencadeia uma rotina previsível de homenagens, discursos e promessas de apoio do Estado às famílias enlutadas. No entanto, fora das cerimônias oficiais, o cotidiano de mães e viúvas em diversas regiões do Brasil revela um cenário bem diferente: o desamparo.

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O assunto é tema de uma reportagem especial de Rodrigo Hidalgo, exibida no Jornal da Band, que expõe a "batalha silenciosa" enfrentada por quem sobrevive à morte de agentes de segurança pública.

A ausência de suporte institucional

Jéssica Araújo, viúva do sargento do BOPE Héber Carvalho da Fonseca, que morreu durante uma operação no Rio de Janeiro em 2024, descreve a falta de assistência que deveria ser garantida pelo Estado. Segundo ela, apesar das inúmeras homenagens recebidas nos meses seguintes à tragédia, o suporte necessário para enfrentar a dor do luto não foi oferecido.

"Ajuda em si, psicológica, direitos humanos, eles falam que abraçam, amparam. Eu não tive nenhum suporte", relata Jéssica.

O drama se repete em outros estados. Em 2021, o soldado Joanilson da Silva Amorim, da Polícia Militar da Bahia, foi morto por engano durante uma operação da Polícia Civil em Pernambuco. Para Maria de Amorim, mãe do policial, o luto é um processo contínuo e solitário. Ela conta que, desde a perda do filho, sofre com quadros de depressão e, recentemente, com as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC).

O impacto na sociedade e na corporação

Especialistas em segurança pública alertam que a morte de um policial gera reflexos em toda a sociedade. Alan Fernandes, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que, por trás de cada agente morto, existem anos de treinamento, experiência acumulada e investimentos públicos destinados à formação de profissionais preparados para proteger a população.

"As pessoas se sentem mais vulneráveis, porque se um policial, que é treinado, capacitado e dotado de equipamentos, morreu numa ação, imagine o cidadão que não dispõe de nenhum desses artefatos para isso", explica Fernandes.