A partir desta sexta-feira (20), a patente de registro da semaglutida — princípio ativo utilizado em canetas emagrecedoras populares como o Ozempic — expira no Brasil. Na prática, a exclusividade de produção da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk chega ao fim, permitindo que outros laboratórios tenham acesso à fórmula e lancem seus próprios medicamentos baseados na substância.
Atualmente, o alto custo é o principal obstáculo para o tratamento da obesidade e do diabetes, com gastos mensais que não saem por menos de R$ 1 mil. Com a entrada de novas fabricantes no mercado, a tendência é de maior competitividade. Especialistas estimam que o preço do medicamento possa sofrer uma redução entre 20% e 50%, provocando uma mudança significativa no acesso à saúde metabólica no país.
Processo de liberação e produção em larga escala
Apesar da quebra da patente, os novos produtos ainda precisam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Alexandre Trinhaim, especialista em marcas e patentes, esse processo regulatório tende a ser mais ágil do que o registro da fórmula original.
Atualmente, já existem 14 pedidos de novos medicamentos baseados na semaglutida protocolados na Anvisa. Um dos laboratórios interessados já manifestou capacidade técnica para iniciar a produção de até 1 milhão de doses ainda este ano, assim que obtiver o aval do órgão regulador.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Neuton Dornelas, ressalta que a semaglutida revolucionou o tratamento de doenças metabólicas mundiais. A ampliação do acesso é vista como um passo fundamental para pacientes que convivem com a obesidade e o diabetes tipo 2.
Impacto no mercado paralelo
A redução no preço oficial do medicamento também deve refletir na segurança pública e na saúde dos consumidores ao enfraquecer o mercado clandestino. Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados, pontua que a comercialização ilegal se torna menos atraente para os criminosos quando o produto legítimo se torna mais acessível.
Entretanto, a especialista alerta que o mercado paralelo pode não desaparecer completamente, uma vez que esses medicamentos exigem prescrição médica. O barateamento, contudo, é apontado como a principal ferramenta para diminuir drasticamente o interesse de redes de venda ilegal.
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