
Fraudes no INSS: esquema de descontos criminosos se concentrou no Nordeste
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias do INSS envolveu empresas de fachada e se concentrou no Nordeste. Em algumas cidades, mais de 60% dos aposentados foram roubados.
A Controladoria-Geral da União entrevistou 1300 beneficiários do INSS em todo o brasil. 97 por cento não autorizaram nenhum tipo de desconto. A investigação apontou que algumas entidades falsificavam mesmo a assinaturas dos aposentados.
O esquema de descontos criminosos se concentrava no Nordeste. Em algumas cidades do Maranhão e do Piauí, mais de 60% dos aposentados foram roubados.
Segundo a CGU, foram identificadas cobranças indevidas em nome de analfabetos, indígenas isolados, idosos com doenças graves, pessoas com deficiência e até moradores do exterior. gente que não teria condições de comparecer pessoalmente às associações, muito menos de autorizar descontos em folha./
A investigação revelou que lobistas recebiam dinheiro das associações investigadas - e que algumas eram empresas de fachada, sem nenhuma estrutura para fazer o serviço.
Um dos cabeças do esquema, segundo a PF, era o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS”.
O relatório da Polícia Federal mostrou que o empresário recebeu mais de R$ 53 milhões de associações e entidades e que repassou - direta ou indiretamente - mais de R$ 9 milhões para três ex-diretores do INSS.
Entre as entidades investigadas, está o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, o Sindnapi, que teve um salto de 414% na arrecadação em quatro anos.
Em 2019, o sindicato recebeu R$ 17 milhões em descontos. Em 2023, o valor passou dos R$ 90 milhões.
A entidade tem como diretor vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula. A polícia federal diz que Frei Chico não está entre os investigados.
O esquema levou à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e atinge outros seis servidores do alto escalão. A Justiça Federal autorizou a quebra de sigilos telefônicos, digitais e de comunicações dos investigados.
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