Jornal da Band

'Gal, o Musical': a trajetória da voz que revolucionou a música brasileira

Espetáculo que está em cartaz em São Paulo percorre a vida da artista desde a infância na Bahia até a consagração como uma das maiores intérpretes da música brasileira

Olívia Freitas
OLÍVIA FREITAS

08/03/2026 • 07:34 • Atualizado em 08/03/2026 • 07:34

Uma mulher, uma revolução. É com essa força que "Gal, o Musical" chega aos palcos de São Paulo para contar a história de uma das figuras mais emblemáticas da cultura nacional.

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O espetáculo mergulha na trajetória de Maria da Graça, a "Gracinha", antes mesmo de se tornar a Gal Costa aclamada pelo público, revelando os desafios de uma jovem que enfrentou resistência no início da carreira.

A roteirista do espetáculo, Marília Toledo, relembra que o caminho até o sucesso não foi imediato. "Ela foi, já de cara, muito criticada, detonada naquele momento. Chamada de 'João Gilberto de saias', os críticos disseram que ela tinha problema de dicção", explica.

Segundo ela, a grande virada aconteceu em um momento de coragem política e artística: "No momento que ela canta 'Divino Maravilhoso' no festival, em plena ditadura, é que surge essa Gal revolucionária, que grita, que quer rock and roll".

Construção e Identidade

Para a protagonista Walerie Gondim, o desafio de viver o ícone vai muito além da estética. "É uma construção de muitas frentes. A semelhança física é muito pouco diante do trabalho que a gente tem de construção. Eu fiz um trabalho de pesquisa muito grande para me aproximar dela", revela a atriz.

A montagem percorre passagens fundamentais, como o encontro histórico com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia, e momentos da vida pessoal, como a adoção de seu filho, Gabriel, em 2007. Um dos grandes destaques é a caracterização, que utiliza réplicas fiéis de figurinos históricos, como a roupa do emblemático show "Os Doces Bárbaros", de 1976.

Essência Baiana

A busca pela autenticidade levou a produção a buscar talentos na origem do movimento tropicalista. O diretor Kleber Montanheiro explica que as audições foram levadas para o Nordeste: "A gente começou fazendo as audições em Salvador. Eles são baianos que vieram para fazer o Gil, a Bethânia e o Caetano. A gente queria esse tempero baiano que é natural deles".

O impacto de Gal na cultura brasileira é resumido pelo compositor Tom Zé, que descreve a mística em torno da artista: "Gal sempre era um acontecimento. Quando ela ia cantar, a cidade, vamos dizer assim, mudava de roupa para ir lá ver ela".

"Gal, o Musical" é um passeio por canções que marcaram a história do país e uma homenagem ao magnetismo de uma mulher que foi discreta na vida íntima, mas avassaladora nos palcos.

Serviço

“Gal, o Musical” está em cartaz no 033 Rooftop, localizado no Complexo JK Iguatemi. A temporada vai até 10 de maio, com apresentações às sextas-feiras às 20h30, aos sábados às 16h30 e 20h30, e aos domingos às 15h30 e 19h30.

Duração da sessão: o espetáculo tem 2h30 e é divido em dois atos: o primeiro tem duração de uma hora e quinze, intervalo de 15 minutos e segundo ato de uma hora.

Endereço: Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi, São Paulo - Complexo JK Iguatemi

Classificação etária: 14 anos, menores de 14 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

Valores

  • Mesa: de R$150,00 (meia entrada) a R$300,00 (inteira)
  • Bistro alto: de R$125,00 (meia entrada) a R$250,00 (inteira)
  • Plateia: R$100,00 (meia entrada) e R$200,00 (inteira)
  • Popular: R$25,00 (meia entrada) e R$50,00 (inteira)

Os ingressos podem ser adquiridos pela internet, no site Sympla, ou na bilheteria do Teatro Santander, localizado no mesmo endereço.