Um homem acusado de crimes por pelo menos 20 mulheres foi preso em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Vinícius Roig da Silva, de 47 anos, tatuador e corretor de imóveis de Torres, no litoral gaúcho, teve a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (30). A denúncia que ajudou a levá-lo à cadeia partiu de dentro da própria família: foi a irmã dele quem deu voz ao relato de uma das vítimas.
Entre os casos que deram início às investigações está o de uma professora que se relacionou com Roig por cerca de cinco meses e pôs fim à relação após diversos episódios de violência. Ela descreve agressões quase diárias e um dos ataques em que perdeu a consciência.
"Eu apanhava quase todo dia. Se eu tivesse ficado com ele, provavelmente estaria morta", afirma. A professora relata ainda ter acordado um dia toda machucada e percebido que havia sido estuprada.
Quem deu visibilidade à denúncia da professora foi Juliana Roig, irmã do acusado. Ela criou uma página nas redes sociais para divulgar os crimes atribuídos ao irmão, com base no que testemunhou ao longo dos anos.
Juliana afirma ter convivido de perto com várias namoradas dele e visto o mesmo padrão se repetir: o mesmo tipo de controle e as mesmas palavras. "Como é que eu ia me calar se eu sei de tudo?", questiona.
Em pouco tempo, a página passou a receber dezenas de relatos de outras vítimas. Uma mulher contou ter sido agredida a chutes depois de recusar uma relação sexual. “Eu ia morrer naquele apartamento. Eu não morri porque fugi sozinha", disse.
O tatuador foi preso preventivamente e a polícia fez buscas na casa alugada onde ele estava hospedado. Só na delegacia de Torres, ele já foi indiciado dez vezes — nove delas por violência doméstica, com histórico que envolve perseguição e ameaça. A polícia ainda investiga uma suspeita de violência sexual.
Segundo o delegado Marcos Vinícius Veloso, depoimentos apontam que o suspeito filmava algumas situações com as vítimas, o que será checado na extração do celular dele. "A gente precisa apurar se de fato há essas filmagens", diz.
O Ministério Público gaúcho já denunciou Roig por três crimes cometidos contra ex-namoradas e confirma acusações de pelo menos 20 mulheres, com a possibilidade de o número ser ainda maior.
A coordenadora da central de atendimento a vítimas do MPRS, Carla Fróz, relata que mulheres ficavam com o rosto deformado após as agressões e eram ameaçadas com a exposição de vídeos íntimos — episódios que, segundo ela, superam o que viu em 28 anos de MP.
A Band Não Se Cala
O Grupo Bandeirantes lançou a campanha "A Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no País. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.
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