O Líbano registrou o dia mais sangrento desde o estabelecimento do acordo de cessar-fogo entre o governo de Israel e o grupo Hezbollah. Em um intervalo de apenas 24 horas, o Exército israelense lança cerca de 50 ataques em território libanês, resultando na morte de vinte pessoas. Apesar da trégua oficial ter previsão de duração até o final do mês, as ofensivas militares prosseguem, elevando o número de vítimas, que inclui uma parcela significativa de civis atingidos fora das zonas de conflito direto.
Os bombardeios geram denúncias de ataques a áreas residenciais e comerciais. Haitham Halal, morador da região de Habboush, no sul do Líbano, relata que três pessoas morreram em um local onde funcionam as lojas de seu irmão. Segundo o residente, não há qualquer instalação militar ou presença de integrantes do Hezbollah na área atingida.
Em contrapartida, as Forças de Defesa de Israel afirmam que a operação destruiu 15 bases pertencentes ao grupo libanês, que conta com o apoio do Irã. Os militares israelenses também relatam a destruição de um túnel com 30 metros de comprimento e de um depósito de armamentos. Como resposta, o Hezbollah mantém a ofensiva contra as tropas israelenses com o uso de drones e o disparo constante de foguetes.
O cenário atual agrava uma crise humanitária profunda na região. Desde o mês de março, os confrontos resultam na morte de mais de 2.600 pessoas no território libanês, além de forçar o deslocamento de cerca de um milhão de habitantes de suas casas. Entre as vítimas fatais, contabilizam-se dezenas de civis, incluindo mais de cem crianças. As forças israelenses continuam ampliando a ocupação terrestre no país vizinho, o que provoca a remoção compulsória de moradores de vilarejos inteiros.
No campo político, ambos os lados trocam acusações sobre as violações do cessar-fogo, que está em vigor desde o dia 16 de abril. Até o momento, os esforços da comunidade internacional e os canais diplomáticos para interromper os combates fracassam. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, declara publicamente que o país não participará de qualquer negociação com o governo de Israel enquanto a atual ofensiva militar continuar em seu território.
Prisão de brasileiro e tensão diplomática
Em outra frente das operações israelenses, a crise se desdobra em uma crescente tensão diplomática com países como Brasil e Espanha. Os dois governos exigem explicações formais e a libertação imediata de dois ativistas detidos pelas forças de segurança de Israel durante uma missão humanitária.
A Justiça israelense determina a prorrogação da prisão preventiva, por mais dois dias, do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek. Os ativistas participavam de uma flotilha internacional que tinha como principal objetivo entregar ajuda humanitária aos civis palestinos na Faixa de Gaza, na tentativa de furar o bloqueio naval imposto à região.
O Exército de Israel interceptou as embarcações enquanto elas ainda navegavam em águas internacionais. A maior parte dos militantes que compunham a frota foi liberada na Grécia, após a formalização de um acordo com o país europeu. No entanto, as autoridades israelenses mantêm o brasileiro e o espanhol-palestino sob custódia, sob a acusação de que ambos possuem ligações com uma organização considerada terrorista e sancionada pelo governo dos Estados Unidos.
A defesa dos ativistas contesta veementemente a legalidade da operação militar. Os advogados de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek afirmam que a interceptação dos navios em águas internacionais fere o direito marítimo e classificam a detenção prolongada dos ativistas como um ato de sequestro. O desenrolar do caso segue acompanhado de perto pelas chancelarias do Brasil e da Espanha.
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