Jornal da Band

Justiça condena envolvidos na única fuga do sistema prisional federal

Deibson Cabral e Rogério Mendonça, além de quatro homens que deram suporte logístico para fuga de presídio em Mossoró, receberam novas penas; caso levou ao reforço da segurança máxima no país

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

06/08/2026 • 19:38 • Atualizado em 06/08/2026 • 19:38

Dois anos e meio após a única fuga registrada na história do sistema penitenciário federal, a Justiça Federal do Rio Grande do Norte condenou os seis envolvidos no episódio. A sentença atinge a dupla de detentos que escapou da Penitenciária Federal de Mossoró e quatro criminosos que atuaram no auxílio logístico, oferecendo transporte e esconderijo durante a caçada policial.

Compartilhar

Em fevereiro de 2024, Deibson Cabral e Rogério da Silva Mendonça conseguiram fugir da unidade de segurança máxima aproveitando falhas estruturais. A escapada deu início a uma megaoperação de buscas que durou 50 dias e percorreu diferentes estados. A dupla percorreu mais de 1.600 quilômetros até ser recapturada em Marabá, no Pará.

Penas e situação dos envolvidos

Na decisão, os fugitivos tiveram suas penas aumentadas por crimes cometidos durante a fuga. Deibson Cabral foi condenado a cinco anos de prisão por porte de arma de uso restrito. Já Rogério da Silva Mendonça recebeu uma pena de sete anos e seis meses por porte ilegal de arma e falsificação de documento público. Ambos seguem cumprindo pena na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

Dos quatro apoiadores que deram cobertura no Pará e foram detidos na época da recaptura, três já cumpriam prisão preventiva desde 2024 e ganharam a liberdade após o recebimento de penas mais leves. O quarto homem foi condenado a três anos de prisão e cumprirá a pena em regime aberto.

Investigação sobre o planejamento continua

A juíza responsável pelo caso ressaltou na sentença que este julgamento tratou exclusivamente do apoio prestado aos fugitivos durante o período em que estiveram escondidos. As investigações sobre a organização e o planejamento da fuga, a atuação de facções criminosas e os danos ao patrimônio público continuam sendo apuradas em processos separados e autônomos.

Reforço na segurança das prisões federais

A fuga em Mossoró expôs vulnerabilidades decorrentes de falhas de projeto, instalações antigas e o uso de tecnologias ultrapassadas nas unidades federais. O episódio motivou uma reformulação profunda nos protocolos do governo federal para o setor.

Após o ocorrido, as regras de segurança máxima foram endurecidas em todos os presídios federais do país. O Jornal da Band mostrou, em reportagens especiais recentes, como funcionam as novas camadas de proteção e o cerco reforçado na Penitenciária Federal de Brasília para evitar novos episódios.