
Laboratório na UFRJ reforça segurança na exploração de petróleo; entenda
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O Brasil consolidou sua posição como referência mundial na exploração de petróleo e gás em águas profundas. Com o objetivo de aumentar a segurança e a capacidade de testar equipamentos essenciais para a perfuração, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, nesta terça-feira (16), o Núcleo de Tecnologia de Poços.
Atualmente, a exploração em águas profundas é uma realidade consolidada no país há quase duas décadas, sendo que oito em cada dez barris de petróleo produzidos no Brasil provêm do pré-sal. No entanto, o aumento na atividade de perfuração e o início das operações na Margem Equatorial exigem padrões técnicos rigorosos.
Tecnologia inédita para o setor
A estrutura inaugurada pela UFRJ é considerada singular no cenário global. O complexo, que recebeu um investimento de cerca de R$ 49 milhões, é composto por duas câmaras de testes capazes de reproduzir as condições rigorosas enfrentadas pelas máquinas no fundo do mar.
"Essa estrutura que nós montamos não existe em lugar algum do mundo. É uma estrutura única, capaz de reproduzir um poço do pré-sal, por exemplo", destaca Ilson Paranhos Pasqualino, professor da UFRJ. Segundo ele, o laboratório tem como principal objetivo permitir o desenvolvimento, a qualificação e o teste de equipamentos de poço.
O sistema opera em um banker subterrâneo, a dez metros de profundidade. As câmaras possuem seis metros de comprimento e conseguem simular pressões encontradas a até 20 mil metros de profundidade. Além da pressão, os equipamentos podem ser submetidos a temperaturas extremas, que variam de 4°C a 250°C.
Foco na prevenção de incidentes
A necessidade de maior rigor tecnológico ficou evidente após episódios recentes de falha operacional. Em janeiro, um incidente em um navio-sonda resultou no vazamento de fluido de perfuração diretamente no mar. O caso levou à paralisação temporária das operações da Petrobras, que foram normalizadas apenas após a revisão dos protocolos de segurança.
Apesar do episódio, o setor mantém uma postura de cautela e busca contínua por inovação. Thelmo Ghiorzi, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPETRO), ressalta que o histórico brasileiro na área é positivo, mas não permite acomodação. "O Brasil explora petróleo no mar há mais de 50 anos e nunca houve nenhum acidente relevante. O que não implica que a gente vai parar de pesquisar ou de aprender", afirma Ghiorzi.
A iniciativa visa mitigar riscos ambientais e operacionais, garantindo que a tecnologia acompanhe o ritmo do crescimento da produção nacional. A infraestrutura servirá tanto para a indústria quanto para o desenvolvimento acadêmico, posicionando o Rio de Janeiro como um polo central de inovação para o petróleo e gás.
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