Jornal da Band

Leilão de energia do governo pode entrar na mira da Polícia Federal

O total supera a casa de meio trilhão de reais, quase o dobro dos valores contratados em 2008, quando uma falha técnica no sistema de transmissão provocou apagões em várias partes do país

SANDRO BARBOZA

08/05/2026 • 21:43 • Atualizado em 08/05/2026 • 21:44

O leilão do governo para contratar energia reserva pode entrar na mira da polícia federal. Um relatório aponta falhas na disputa e questiona o custo bilionário do negócio. Nunca o governo federal contratou tanta energia num leilão de reserva de capacidade. Uma garantia de fornecimento para o horário de maior demanda: entre 18h e 21h.

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O total supera a casa de meio trilhão de reais, quase o dobro dos valores contratados em 2008, quando uma falha técnica no sistema de transmissão provocou apagões em várias partes do país.

Além dos valores bilionários, o que chama a atenção é o tipo de energia escolhido pelo governo. Mais de 80% dela virá de usinas termoelétricas, que são mais caras e extremamente poluentes. A conta financeira e ambiental ficará com o consumidor.

O ministério de Minas e Energia disse que o leilão respeitou todos os preceitos técnicos e legais".

O diretor do centro brasileiro de infraestrutura afirma que o Brasil precisa de todo tipo de energia para evitar apagões, e que novas tecnologias, como as baterias, precisam estar entre essas alternativas de fornecimento.

O caso chamou a atenção e levou parlamentares a questionarem o leilão e os custos multibilionários do negócio, com pedidos de explicação ao ministério das minas e energia, ao Tribunal de Contas da União e um pedido de inquérito junto à polícia federal.

O deputado Danilo Fortes (PP-CE) convocou uma audiência pública para discutir o leilão. Depois de oito horas de sessão, ele preparou um relatório com críticas ao processo e solicitando providências contra o que ele chamou de mais um escândalo no país.

‘Porque beneficiar dois ou três grupos econômicos em detrimento de milhares milhares, milhares de produtores de energia solar, de centenas de produtores de energia eólica que estavam inclusive disseminando esse crescimento com a região mais pobre do país’, diz o deputado.