
Crime organizado coagiu habitantes a protestarem
Reprodução/Band
O Ministério Público de São Paulo afirma que integrantes do crime organizado forçavam moradores da Favela do Moinho a participar de protestos contra a remoção da comunidade, na região central da capital.
A descoberta faz parte da investigação que levou a Justiça a decretar a prisão de Alessandra Moja, nesta segunda-feira (9), após pedido do MP. Ela é apontada como responsável por executar ordens de seu irmão, Leonardo, conhecido como Léo do Moinho, um dos chefes do PCC.
Segundo o promotor Juliano Atoji, do Gaeco, moradores que desejavam deixar o local eram coagidos a ir às ruas para confrontar a polícia. A investigação mostra que os protestos frequentes na área não eram espontâneos, mas articulados para atender aos interesses da facção criminosa.
Atuação do crime organizado na região
Para o Ministério Público, Alessandra repassava diretamente as determinações de Léo do Moinho, que segue comandando atividades ilegais mesmo preso. A Favela do Moinho fica a pouco mais de um quilômetro da antiga Cracolândia, onde, de acordo com a apuração, a rede criminosa mantinha o fluxo de usuários de drogas.
A investigação aponta que dependentes químicos eram usados para vender produtos furtados, como bicicletas e fios de cobre, e trocavam o que recebiam por crack. O pagamento muitas vezes era feito em cachaça. Léo do Moinho, segundo o MP, administrava ferros-velhos e pontos de reciclagem na favela que serviam para armazenar drogas e lavar dinheiro.
Pressão sobre moradores que aceitavam sair
O governo de São Paulo pretende revitalizar a região e já oferece indenizações, aluguel social e novas moradias para as famílias que aceitam deixar a área. No entanto, a apuração do MP mostra que parte dos moradores foi obrigada a pagar propina ao crime organizado para conseguir autorização para sair.
A prisão de Alessandra Moja foi decretada pela Justiça após solicitação do Ministério Público. Ela chegou a desmaiar ao ser conduzida ao presídio. Para os investigadores, não há dúvidas de que a atuação da líder comunitária era estratégica para manter a influência da facção sobre a favela e dificultar os projetos de urbanização.
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