Jornal da Band

Líder comunitária ligada ao PCC tem prisão decretada após pedido do MP em São Paulo

Ministério Público aponta que protestos contra remoção de favela eram organizados sob ordens do crime

Por Redação
REDAÇÃO

09/09/2025 • 19:44 • Atualizado em 09/09/2025 • 19:44

Crime organizado coagiu habitantes a protestarem

Crime organizado coagiu habitantes a protestarem

Reprodução/Band

O Ministério Público de São Paulo afirma que integrantes do crime organizado forçavam moradores da Favela do Moinho a participar de protestos contra a remoção da comunidade, na região central da capital.

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A descoberta faz parte da investigação que levou a Justiça a decretar a prisão de Alessandra Moja, nesta segunda-feira (9), após pedido do MP. Ela é apontada como responsável por executar ordens de seu irmão, Leonardo, conhecido como Léo do Moinho, um dos chefes do PCC.

Segundo o promotor Juliano Atoji, do Gaeco, moradores que desejavam deixar o local eram coagidos a ir às ruas para confrontar a polícia. A investigação mostra que os protestos frequentes na área não eram espontâneos, mas articulados para atender aos interesses da facção criminosa.

Atuação do crime organizado na região

Para o Ministério Público, Alessandra repassava diretamente as determinações de Léo do Moinho, que segue comandando atividades ilegais mesmo preso. A Favela do Moinho fica a pouco mais de um quilômetro da antiga Cracolândia, onde, de acordo com a apuração, a rede criminosa mantinha o fluxo de usuários de drogas.

A investigação aponta que dependentes químicos eram usados para vender produtos furtados, como bicicletas e fios de cobre, e trocavam o que recebiam por crack. O pagamento muitas vezes era feito em cachaça. Léo do Moinho, segundo o MP, administrava ferros-velhos e pontos de reciclagem na favela que serviam para armazenar drogas e lavar dinheiro.

Pressão sobre moradores que aceitavam sair

O governo de São Paulo pretende revitalizar a região e já oferece indenizações, aluguel social e novas moradias para as famílias que aceitam deixar a área. No entanto, a apuração do MP mostra que parte dos moradores foi obrigada a pagar propina ao crime organizado para conseguir autorização para sair.

A prisão de Alessandra Moja foi decretada pela Justiça após solicitação do Ministério Público. Ela chegou a desmaiar ao ser conduzida ao presídio. Para os investigadores, não há dúvidas de que a atuação da líder comunitária era estratégica para manter a influência da facção sobre a favela e dificultar os projetos de urbanização.

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