O dia dos pré-candidatos à Presidência foi marcado por uma intensa troca de acusações motivada pelo novo "tarifaço" dos Estados Unidos contra o Brasil. O embate começou ainda na madrugada desta quinta-feira (16), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma longe publicação nas redes sociais, onde criticou a ação do governo norte-americano e acusou a família Bolsonaro pela nova taxação.
Horas depois de os Estados Unidos confirmarem a taxa de 25% sobre os produtos brasileiros, Lula afirmou que o desfecho das investigações dos EUA (baseadas na "Sessão 301") faz parte de um enredo construído com a colaboração dos Bolsonaro, a quem chamou de "falsos patriotas" que agiram movidos por interesses eleitoreiros contra o próprio Brasil. “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições”, disse.
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro rebateu as críticas através de um vídeo, devolvendo a responsabilidade ao atual governo. Flávio acusou Lula de não ter negociado com os americanos e comparou o Brasil a um "avião sem piloto", associando a figura do presidente ao passado, à corrupção e à incompetência.
Fora dos embates por conta da taxação, Flávio Bolsonaro lançou nesta quinta-feira um programa voltado para mulheres, coordenado por Daniela Marques. Segundo ele a Central da Mulher, será uma plataforma de segurança pública voltada às mulheres.
Defender mulher de covarde, vagabundo e agressor é pauta de direita. A direita não gosta de criminoso. Quem gosta de criminoso é a esquerda. --Flávio Bolsonaro
Críticas à polarização
Outros pré-candidatos aproveitaram o episódio da taxação norte-americana para criticar tanto Lula quanto o clã Bolsonaro, acusando-os de priorizar a disputa eleitoral em vez dos interesses nacionais:
- Ronaldo Caiado (PSD): Em agenda no Rio Grande do Sul, afirmou que Lula "lutou pela taxação" para provocar os EUA, enquanto o lado bolsonarista teria tentado apenas adiar a medida para depois das eleições. Para Caiado, "ninguém pensou no Brasil";
- Romeu Zema (Novo): Criticou o uso da política externa como "palanque eleitoral", alertando que a postura do governo coloca empregos em risco. Embora tenha pontuado erros de Lula, ressaltou que isso não justifica a medida protecionista americana;
- Renan Santos (Missão): Em Fortaleza, avaliou que o Brasil perdeu oportunidades de negociação estratégica, como o uso das terras raras como moeda de troca para evitar prejuízos ao país.
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