Uma menina de 11 anos está em estado grave após ser picada por um escorpião em Brasília. Valentina Nobre Lima foi surpreendida pelo animal ao se arrumar para ir à escola, quando o escorpião estava escondido dentro de um de seus tênis. O caso, que ocorreu recentemente, expõe a precariedade na distribuição de soro antiveneno na rede pública de saúde da capital federal, já que a família da criança precisou rodar por diversos hospitais antes de conseguir atendimento especializado.
Após a picada, a busca por socorro transformou-se em uma corrida contra o tempo. Segundo familiares, a dificuldade em encontrar uma unidade que possuísse o antídoto obrigou a família a realizar uma busca desesperada por conta própria.
"A família inteira começou a ligar desesperadamente para quem conhece, para ver se poderia ajudar no hospital. A gente estava vendo que um telefone não resolvia nada, foi quando tivemos a atitude de sair do hospital e bater de porta em porta", relatou Thiago Saúde, cunhado da vítima.
Quadro clínico delicado
A criança foi internada em um hospital particular apenas sete horas depois do acidente, tempo considerado crítico para o tratamento desse tipo de envenenamento. Durante a internação, Valentina apresentou complicações severas, sofrendo três paradas cardíacas. Em um dos episódios de reanimação, a equipe médica precisou atuar por cerca de 40 minutos para estabilizar a menina, que permanece intubada e sob cuidados intensivos.
O perigo representado pelo escorpião-amarelo, espécie predominante e mais venenosa no Brasil, é acentuado quando a vítima é uma criança.
"A criança tem uma superfície corporal menor, peso e altura, comparando com o adulto. Então, vamos ter uma concentração maior do veneno. Além disso, o sistema neurológico ainda não está totalmente maduro, o que pode levar a quadros mais graves e acentuados", explica a infectologista Joana D'Arc Gonçalves.
Infestação e falta de controle
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou cerca de 64 mil picadas de escorpião apenas até o início de maio deste ano. O número equivale a uma média alarmante de quase 500 casos por dia, resultando em 80 mortes no mesmo período. Especialistas apontam que o acúmulo de entulhos e lixo em áreas urbanas é o principal fator que contribui para as infestações.
Na região onde Valentina reside, moradores relatam conviver com a presença constante dos animais peçonhentos há mais de um ano, apesar dos cuidados redobrados na limpeza das residências. A família da vítima cobra agora medidas mais rigorosas por parte do Poder Público.
"As autoridades têm que tomar conta. A Valentina não pode ser só uma estatística. A gente tem que ajudar, tem que fazer alguma coisa", desabafou Claudete Cirino, tia da menina.
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