Jornal da Band

Metade dos motoristas de ônibus em SP acumula jornada com aplicativos

Pesquisa da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos aponta que cerca de 30 mil motoristas de ônibus na capital paulista trabalham em dupla jornada como motoristas de aplicativos ou motoboys

Roberta Scherer
ROBERTA SCHERER

15/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 15/08/2026 • 07:00

Quase 30 mil motoristas de ônibus que atuam na capital paulista acumulam uma segunda jornada de trabalho exercendo funções como motoristas de aplicativos ou motoboys. O dado foi divulgado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos e acende um alerta sobre os riscos operacionais no transporte público da cidade.

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Pela legislação vigente, o intervalo obrigatório entre o fim de uma jornada e o início da outra deve ser de pelo menos 11 horas. No entanto, a busca por renda complementar diante de um salário base de aproximadamente R$ 4,2 mil faz com que muitos profissionais abram mão do descanso regulamentar para atuar em outras frentes.

Riscos à segurança e estafa mental

Segundo Francisco Christovam, diretor presidente da Associação das Empresas de Transportes Urbanos, o desgaste acumulado eleva expressamente a probabilidade de acidentes de trânsito, seja na condução dos ônibus ou dos veículos de aplicativo. O cenário é corroborado nas garagens das concessionárias, onde há um crescimento significativo no número de atestados médicos emitidos por exaustão.

O psiquiatra Leonardo Carriço explica que a privação crônica de sono pode gerar consequências graves comparáveis a estados de embriaguez. Entre os principais reflexos estão a lentidão de raciocínio, a diminuição da atenção e falhas na tomada de decisões rápidas, fatores considerados críticos para quem exerce a função de motorista profissional.

O impacto na rotina dos trabalhadores e o impasse institucional

O Sindicato dos Motoristas reconhece os reflexos da estafa na rotina da categoria, mas ressalta que a remuneração atual é incompatível com a responsabilidade de transportar mais de mil passageiros por dia em cada coletivo.

Enquanto o impasse sobre as condições de trabalho e remuneração persiste, a Prefeitura de São Paulo afirma que não possui poder legal para deliberar sobre a relação de trabalho ou a jornada dos empregados contratados pelas empresas concessionárias do sistema de transporte urbano.