Jornal da Band

ONU alerta para cerco de colonos israelenses a palestinos na Cisjordânia

Quinze palestinos estão presos em casas na região de Qusra; Exército israelense enviou reforços após confronto com colonos

Beatriz Ferrete
BEATRIZ FERRETE

13/08/2026 • 20:41 • Atualizado em 13/08/2026 • 20:52

O Escritório da ONU para os Direitos Humanos alertou nesta quinta-feira (13) para o aumento da violência de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada. Em Qusra, ao sul de Nablus, 15 palestinos, incluindo duas crianças, estão presos dentro de suas casas desde o fim de semana após colonos bloquearem os acessos aos imóveis.

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O cerco já dura cinco noites. Segundo os moradores, os colonos montaram tendas em frente às casas, bloquearam a estrada e cortaram o fornecimento de água e energia. Com as restrições de entrada e saída, os estoques de alimentos das famílias também começaram a diminuir. Uma das casas pertence a uma família palestino-americana.

Os moradores afirmam que o objetivo da ação é pressioná-los a abandonar as terras.

A Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e aproximadamente 500 mil colonos israelenses. Israel controla sozinho cerca de 60% do território, área onde estão concentrados os assentamentos e onde a expansão da ocupação tem provocado novos episódios de violência.

Os colonos israelenses vivem em cerca de 146 assentamentos e aproximadamente 390 postos avançados não reconhecidos oficialmente. A ONU tem alertado que a expansão dos assentamentos e o aumento da violência podem provocar o deslocamento forçado de palestinos.

Diante do cerco em Qusra, o Exército israelense enviou soldados para tentar retirar os colonos. Houve resistência e confronto. Militares utilizaram gás lacrimogêneo durante uma tentativa de dispersão e, nesta quinta-feira (13), reforços foram enviados para a região.

Ao mesmo tempo, imagens mostraram homens vestidos com uniformes das Forças Armadas israelenses ao lado dos colonos durante uma oração realizada em frente a uma das casas palestinas sitiadas.

O Exército israelense informou que investiga a participação de militares no episódio e afirmou que os envolvidos podem sofrer medidas disciplinares.

A situação provocou uma crítica incomum dos Estados Unidos. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, classificou o cerco como um "horrível ato de terror". A manifestação chama atenção porque Huckabee é historicamente identificado como apoiador dos assentamentos israelenses.