Jornal da Band

Oposição aciona TSE contra desfile de escola de samba por homenagem a Lula

Partido Novo e Flávio Bolsonaro alegam propaganda antecipada em enredo que exaltou programas sociais e representou Jair Bolsonaro como palhaço preso

CAIÃ MESSINA

16/02/2026 • 19:38 • Atualizado em 16/02/2026 • 19:38

A discussão sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói chega ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a oposição formalizar questionamentos sobre a legalidade da apresentação. O núcleo da controvérsia reside na homenagem prestada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo adversários políticos, configurou propaganda eleitoral antecipada.

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O Partido Novo já protocolou um pedido de inelegibilidade contra o presidente, enquanto o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, teceu duras críticas à agremiação.

O enredo da escola de samba fluminense percorreu a trajetória histórica de Lula, dedicando alas e alegorias à exaltação de programas sociais do atual governo. Contudo, o ponto de maior atrito foi a abordagem direta a adversários políticos.

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi representado de forma satírica, figurando como um palhaço preso em uma das composições da escola. Apesar da temática centralizada em sua figura, nem o presidente Lula nem seus ministros participaram do desfile na avenida. Lula limitou-se a descer do camarote para cumprimentar integrantes da escola durante a concentração.

Repercussão jurídica e ausência da primeira-dama

A participação da primeira-dama, Janja, era aguardada como um dos pontos altos do desfile. Ela deveria subir no último carro alegórico, que trazia um boneco gigante do presidente. No entanto, Janja recuou de última hora. Em nota oficial, a primeira-dama afirmou que a decisão de não desfilar foi estratégica, visando evitar possíveis perseguições jurídicas ou políticas tanto à escola de samba quanto ao presidente Lula.

A movimentação da oposição no Judiciário não é inédita neste caso específico. Na semana anterior ao Carnaval, uma ação já havia sido protocolada na tentativa de impedir a realização do desfile da Acadêmicos de Niterói, mas o pedido foi negado pela justiça na ocasião. Com a concretização da homenagem na avenida, o foco se desloca agora para a análise técnica das imagens e dos discursos proferidos pela agremiação.

A presidente do TSE, Cármen Lúcia, manifestou-se sobre o cenário antes mesmo do início das festividades. A magistrada alertou que eventuais ilícitos eleitorais seriam rigorosamente apurados após o evento.

Ao comentar a judicialização de manifestações culturais, Cármen Lúcia comparou a situação a uma "areia movediça", destacando que quem decide ingressar nesse campo deve estar ciente dos riscos jurídicos e da possibilidade de "afundar" diante de provas de irregularidades eleitorais. O tribunal agora deve avaliar se o desfile extrapolou a liberdade de expressão artística para se tornar uma peça de campanha fora do período permitido.

A ala governista, representada pelo ministro Paulo Teixeira, defendeu o desfile como uma "bela homenagem" a uma história única de ascensão social e combate à pobreza. Em nota, a área jurídica do PT sustentou que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) protege manifestações políticas e culturais espontâneas como exercício legítimo da liberdade de expressão.