Jornal da Band

PF diz que senador pediu para excluir nomes de investigações no Maranhão

Dados obtidos do celular de Weverton Rocha indicariam pedidos ao ministro Humberto Martins sobre processos; senador nega suspeitas

CAIÃ MESSINA

14/08/2026 • 20:14 • Atualizado em 14/08/2026 • 21:50

A Polícia Federal (PF) afirma que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria repassado listas com nomes de pessoas que deveriam ficar fora de investigações sobre um suposto esquema de corrupção no Maranhão. A informação consta de apurações que tiveram decisões tornadas públicas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (14).

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Dino retirou o sigilo de decisões relacionadas a três investigações que apuram suspeitas de corrupção, peculato, obstrução de Justiça e até homicídio envolvendo políticos e empresários no estado.

Segundo a PF, há suspeitas de que recursos provenientes de emendas parlamentares tenham sido usados para financiar empresas que teriam ligação com uma organização criminosa.

Os investigadores atribuem a Rocha um “papel central” no suposto esquema. Além de repassar recursos para as empresas investigadas, o senador teria usado “influência política” na tentativa de atrapalhar o andamento das apurações.

Dados obtidos do celular do parlamentar apontariam ainda contatos com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relacionados a processos judiciais. Segundo os investigadores, Weverton fazia pedidos ao magistrado e chegou a encaminhar listas com nomes de pessoas que deveriam ficar fora dos inquéritos.

A PF também suspeita que o senador tenha atuado junto ao magistrado para tentar atrasar um processo no STJ que atinge a família do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB).

Um dos casos investigados envolve o assassinato de um empresário em 2022. As apurações procuram esclarecer a possível relação do crime com o esquema investigado e eventuais tentativas de interferência nas investigações.

As novas informações ampliam os detalhes sobre um caso que já havia revelado a suspeita de que Weverton tentou interferir na apuração do assassinato. Com a retirada do sigilo determinada por Dino, passaram a ser conhecidos outros elementos reunidos pelos investigadores sobre a suposta atuação do senador.

O ministro informou que, em razão do segredo de Justiça, não vai se manifestar sobre o caso. O parlamentar negou as suspeitas e afirmou que é necessário aguardar o andamento das investigações antes de fazer julgamentos.

“É preciso ter muita tranquilidade, vamos separar, e repito, o joio do trigo. Ninguém está fazendo juízo de valor de nada. Pelo contrário, eu só acho que a política precisa ser resolvida na política”, declarou.