PF investiga uso de sistema do Ministério da Justiça por membros do PCC
Investigações apontam que o PCC acessou dados do Córtex para monitorar autoridades, incluindo Sérgio Moro e ministros do STF

O sistema Córtex, ferramenta de inteligência artificial do Ministério da Justiça, é alvo de uma investigação da Polícia Federal após indícios de que foi acessado pelo crime organizado. Segundo o inquérito, integrantes do PCC utilizaram dados sigilosos coletados pelo sistema para monitorar autoridades públicas, entre elas o senador Sérgio Moro, o promotor Lincoln Gakiya, ministros do Supremo Tribunal Federal e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Havia inclusive planos para atentar contra a vida de Moro e de Gakiya.
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Criado para auxiliar investigações, o Córtex reúne informações de diferentes órgãos e bases de dados, como Receita Federal, Sistema Único de Saúde e câmeras de segurança. A plataforma é considerada eficiente, mas também representa risco caso caia em mãos erradas, o que ocorreu quando dados passaram a ser negociados na deep web.
Vazamento em massa e falhas de segurança
De acordo com a investigação, informações do Córtex continuam disponíveis na internet. A PF identificou que um único usuário chegou a consultar cerca de um milhão de pessoas em apenas um dia por meio de um robô automatizado. O episódio evidencia a vulnerabilidade do sistema, que concentra dados pessoais e sensíveis de milhões de brasileiros.
Para especialistas em segurança digital, o acesso deveria ser protegido por múltiplas camadas de autenticação. O consultor Adriano Vallim alerta que a exposição de informações como rotinas e localizações representa grave risco para autoridades e cidadãos comuns. Ele destaca que empresas e órgãos públicos precisam adotar sistemas de monitoramento de inteligência cibernética, capazes de identificar tentativas de obtenção de credenciais ilegais e avisar as instituições responsáveis.
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A investigação segue em andamento e deve apontar responsabilidades sobre como o crime organizado conseguiu explorar falhas em uma das principais ferramentas de inteligência do governo federal.
Ministério da Justiça nega
Em nota enviada à Band, o Ministério da Justiça e Segurança Pública negou qualquer irregularidade no uso do Sistema Córtex. Segundo o órgão, a plataforma é utilizada exclusivamente por instituições de segurança pública e entes públicos que firmaram Acordo de Cooperação Técnica, com o objetivo de apoiar as forças de segurança.
O ministério destacou que o sistema tem contribuído de forma efetiva para prisões, apreensões e operações contra o crime organizado em todo o país, consolidando-se como um instrumento essencial para a segurança pública. Leia a nota na íntegra:
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"A Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, esclarece que os fatos veiculados pela reportagem supostamente referem-se ao ano de 2022, sendo que desde 2023 foram várias as medidas de segurança adotadas e responsabilização do eventual uso indevido do Sistema Córtex - que não se caracteriza como ferramenta de espionagem ou monitoramento, tampouco emprega recursos de inteligência artificial ou reconhecimento facial.
O Sistema Córtex é utilizado por instituições de segurança pública e entes públicos relacionados que firmaram Acordo de Cooperação Técnica, com a finalidade de apoiar as forças de segurança. A plataforma tem contribuído de forma efetiva para prisões, apreensões e operações contra o crime organizado em todo o país, consolidando-se como um instrumento essencial para a segurança pública.
O sistema possui auditoria permanente, destinada a identificar possíveis usos indevidos e comportamentos atípicos. Além de contar com uma equipe exclusiva, utiliza softwares especializados com mecanismos de detecção de anomalias, tais como: automação indevida, uso robotizado, volume excessivo de consultas, pesquisas indevidas a pessoas expostas politicamente (PEP), entre outros.
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Quando tais situações são detectadas, procede-se à revogação imediata do acesso do usuário e, se necessário, ao bloqueio do órgão conveniado com a respectiva apuração posterior pelo órgão correicional.
Totalmente auditável, o sistema não utiliza login e senha como credencial de acesso, que é feito exclusivamente por meio da integração com o GOV.BR, com autenticação multifator exigindo credencial de nível OURO.
Novas medidas de segurança têm sido implementadas de forma contínua, em alinhamento às boas práticas de governança digital e de compliance. Desse modo, sempre que há indícios ou suspeitas de qualquer uso indevido, estes são imediatamente auditados e comunicados à Polícia Judiciária competente (Polícia Federal ou Civil), em caráter proativo", diz o comunicado.
