Uma operação de combate à violência sexual prendeu suspeitos de dopar, estuprar e filmar mulheres no Rio Grande do Sul e no Pará. A investigação aponta a existência de uma rede internacional que compartilhava os registros dos crimes em pelo menos 20 países.
As vítimas eram sedadas com medicamentos, estupradas enquanto estavam dopadas e, em seguida, tinham a violência gravada em vídeo. O material era então divulgado em grupos na internet voltados à troca desse tipo de conteúdo. Segundo as investigações, em alguns casos os criminosos eram pessoas conhecidas das próprias vítimas.
As prisões aconteceram em São Leopoldo (RS) e Castanhal (PA). No Rio Grande do Sul, um homem de 29 anos é suspeito de ter abusado da própria irmã e de uma prima. No Pará, o suspeito de 37 anos teria estuprado a esposa. A polícia não divulgou as identidades dos detidos.
Além de divulgar as imagens, os investigados trocavam informações sobre substâncias com efeito sedativo e sobre a forma de utilizá-las para dopar as vítimas, praticar os abusos e registrar a violência. Foram apreendidos celulares, computadores e equipamentos de armazenamento de dados, que agora passam por perícia.
A apuração teve início em 2025, após informações repassadas pela polícia criminal da Alemanha, dentro de uma cooperação internacional coordenada pela Europol. Ao todo, cinco pessoas já foram presas. Sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos foram cumpridos em São Paulo, Ceará, Pará e Santa Catarina.
Para o delegado da Polícia Federal Flávio Rolim, a ação enfrenta um fenômeno amplo de violência contra a mulher praticado sobretudo no ambiente digital, em que redes criminosas chegam a buscar a normalização da violência e do próprio estupro.
“Essa investigação busca combater um macro fenômeno da violência contra as mulheres, principalmente praticada no ambiente cibernético, as quais em situações extremas buscam a normalização da violência e até mesmo do estupro", afirmou.
As investigações apontam a atuação de redes de predadores sexuais em diversos países, dedicadas ao compartilhamento de vídeos de estupro contra mulheres. Os envolvidos devem responder por estupro de vulnerável e pela divulgação das cenas na internet — crimes cujas penas podem chegar a 20 anos de prisão.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

