
Polícia investiga clínicas suspeitas de fraudar planos com laudos falsos
Divulgação/Polícia Civil SP
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (30) a Operação Desentendimento, que investiga um esquema de fraudes contra planos de saúde envolvendo clínicas de tratamento para crianças com Transtorno do Espectro Autista. Ao todo, 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital e na região metropolitana, com participação de cerca de 40 policiais e 17 viaturas. O prejuízo pode chegar a R$ 60 milhões.
O esquema funcionava em etapas. Primeiro, laudos médicos eram falsificados ou exagerados, indicando tratamentos intensivos nem sempre necessários. Com esses documentos, ações judiciais eram movidas para obrigar os planos de saúde a pagar pelas terapias.
Por fim, as clínicas simulavam atendimentos ou inflavam valores, cobrando por procedimentos que não aconteciam ou que custavam menos do que o cobrado. Em muitos casos, a cobrança chegava a R$ 50 mil por mês para um único atendimento.
As consequências vão além do prejuízo financeiro. Crianças podem ter sido submetidas a tratamentos desnecessários ou inadequados, comprometendo seu desenvolvimento. Para o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Marcelo Masrhua, além de a criança perder tempo com terapias desnecessárias em carga horária excessiva, o esquema impede que outras crianças que realmente precisam entrem no sistema de atendimento.
O diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, Rodolpho Ramazzini, alerta que fraudes desse tipo encarecem os planos de saúde para todos os consumidores e sobrecarregam as operadoras, que precisam montar setores inteiros para analisar caso a caso os pedidos recebidos. Em alguns casos, pessoas que realmente precisam de atendimento acabam ficando sem, dado o volume de fraudes e o prejuízo bilionário acumulado.
A operação é conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais do Departamento Estadual de Investigações Criminais e apura crimes de estelionato e contra a fé pública. Segundo a Polícia Civil, o esquema violou princípios fundamentais de proteção e boa-fé.
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