Após nove meses na condição de foragido, Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação dos Agricultores Familiares (Conafer), apresentou-se nesta quinta-feira (13) à superintendência regional da Polícia Federal em Brasília. O advogado, que lidera a entidade desde 2011, é apontado pela Polícia Federal como a peça central de um esquema de fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O esquema de desvios
A investigação revela uma estrutura complexa utilizada para desviar benefícios previdenciários. Segundo a Polícia Federal, a Conafer movimentou mais de R$ 640 milhões em descontos indevidos em aposentadorias e pensões ao longo de cinco anos. Os valores seriam desviados para empresas de fachada.
Os dados apresentados pela PF evidenciam um crescimento exponencial dos descontos atribuídos à entidade:
- 2019: R$ 400 mil em descontos.
- 2024: R$ 77 milhões em descontos.
Indiciamento e próximos passos
Carlos Lopes foi indiciado no mês passado e responde por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Em 2025, ele já havia sido detido por falso testemunho durante depoimento na CPI do INSS, sendo liberado posteriormente após o pagamento de fiança.
A defesa do presidente da Conafer afirmou que a apresentação espontânea à polícia não representa uma confissão de culpa. No entanto, investigadores apontam que, com a entrega do suspeito, as chances de um possível acordo de delação premiada são elevadas. A Polícia Federal também investiga possíveis conexões entre a entidade e políticos de partidos de centro.
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