Um grande protesto de moradores da ilha de Maiorca, na Espanha, reacendeu o debate sobre o turismo em massa na Europa. Setenta mil pessoas foram às ruas com uma bandeira clara: não há espaço para mais turistas. Em alguns atos, houve confronto com a polícia e manifestantes ficaram feridos.
O turismo é um dos principais motores da economia no Velho Continente. Entre os países da União Europeia, o setor movimenta quase 2 trilhões de euros por ano, o equivalente a mais de 10% do PIB. Mas nem sempre a visita agrada. Moradores de cidades históricas e destinos muito procurados resolveram dar um basta.
Países europeus estão se voltando contra o turismo em massa sob a alegação de que a superlotação de visitantes sobrecarrega a infraestrutura urbana, infla o custo de vida e expulsa os moradores de suas próprias residências.
Ainda na Espanha, depois da revolta com pistolas de água contra os turistas, a cidade de Barcelona lançou um plano para acabar com todos os aluguéis de curta temporada até 2028. A capital catalã não está sozinha: outras cidades europeias também fecham o cerco contra o turismo de massa, com medidas que vão de restrições a locações até a proibição de dispositivos para check-in instantâneo.
Amsterdã, capital holandesa, restringiu a chegada de navios de cruzeiro e tem plano de banir totalmente as embarcações da região central até 2035. Em Veneza, a prefeitura estuda aumentar de 5 para 50 euros a taxa de entrada para visitantes, cobrança que começou a valer há dois anos.
A capital francesa também atrai cada vez mais visitantes. Por isso, Paris aposta em medidas de incentivo a um turismo mais sustentável, estimulando visitantes a conhecer bairros menos tradicionais e outras regiões da França para reduzir a pressão sobre os principais cartões-postais.
A Torre Eiffel, por exemplo, recebe cerca de 7 milhões de turistas por ano e é o monumento pago mais visitado do mundo. Mas a região do Canal Saint-Martin tem sido uma bela e fresca alternativa para o verão europeu.
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