O forte calor e a escassez de chuvas provocaram uma queda acentuada nos níveis dos reservatórios da região Sudeste, com impacto direto na Grande São Paulo. Atualmente, os sistemas que abastecem a região metropolitana operam, em média, com apenas 26% da capacidade total. Reservatórios estratégicos, como o Cantareira e o Alto Tietê, apresentam níveis críticos, operando próximos de 20%.
A situação tem alterado a rotina dos moradores e impulsionado o setor de construção. Em lojas de materiais de construção, a venda de caixas d'água disparou desde outubro, com registros de aumento de 46% na comercialização de reservatórios domésticos.
Profissionais do setor, como mestres de obras, relatam que a demanda por instalações cresceu, chegando a três novas caixas instaladas por semana em residências que buscam reforçar o estoque próprio.
Manuseio da pressão e impactos no fornecimento
A Sabesp afirma que não há um corte generalizado no fornecimento, mas confirma a aplicação de uma medida de redução na pressão da rede durante 10 horas, entre o período da noite e da madrugada. Na prática, essa ação prejudica quem reside em locais mais altos, onde a água necessita de maior pressão para chegar às torneiras, além de afetar diretamente imóveis que não possuem capacidade de armazenamento interno.
Em diversos bairros, já existem relatos de desabastecimento também durante o dia. Apesar da preocupação da população com um possível retorno do racionamento — semelhante ao ocorrido em 2014 e 2015 —, a Sabesp garante que a situação está sob controle e que o sistema atual é mais robusto do que no período da crise hídrica anterior.
Planejamento e obras estruturantes
A SP Águas, órgão responsável pelo gerenciamento do sistema, projeta melhorias com o avanço de obras estruturantes. Entre as medidas destacadas pelo governo para mitigar os efeitos da estiagem está a transposição do Rio Itapeva, que ampliou a vazão no sistema Alto Tietê em 2,5 metros cúbicos por segundo.
Segundo a gestão estadual, o planejamento de curto, médio e longo prazo visa antecipar restrições e garantir a segurança hídrica, mesmo diante do cenário climático adverso que pressiona o sistema integrado de abastecimento.
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