RJ: Crime organizado proíbe circulação de motoristas de app em comunidades
Traficantes picham ameaças em favelas da Zona Oeste e Baixada Fluminense; Polícia Civil investiga a criação de cooperativas clandestinas de transporte

O crime organizado impõe restrições severas e ameaças a motoristas de aplicativo e entregadores em diversas comunidades do Rio de Janeiro. Por ordem de traficantes, esses profissionais são proibidos de circular em áreas específicas, sob o risco de sofrerem agressões físicas ou terem seus veículos confiscados.
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A proibição é comunicada de forma ostensiva, muitas vezes por meio de pichações logo nas entradas das favelas, servindo como um aviso imediato para quem tenta realizar serviços de transporte ou entrega nessas localidades.
Trabalhadores que atuam na região relatam uma rotina de medo e violência. Em depoimentos, motoristas afirmam que o comunicado das facções é explícito: não haverá uma segunda chance para quem desrespeitar a ordem. O risco envolve desde o chamado "esculacho" — agressões físicas — até a perda total do automóvel, obrigando o profissional a deixar a comunidade a pé. A situação gera um clima de insegurança que afeta diretamente o direito de ir e vir, além de prejudicar o sustento de centenas de famílias que dependem do setor.
Conflitos em Senador Camará e monitoramento policial
Uma das regiões mais críticas é o bairro de Senador Camará, localizado na Zona Oeste da capital fluminense. Com uma população estimada em mais de 100 mil pessoas, a área é frequentemente palco de confrontos intensos entre grupos de traficantes rivais. A dependência dos moradores por serviços de aplicativo é alta, mas a entrada de veículos desconhecidos se tornou uma atividade de alto risco.
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Diante da vulnerabilidade, motoristas utilizam as redes sociais para compartilhar dicas de segurança e mapas informais das zonas proibidas. O objetivo é alertar colegas, especialmente aqueles que não conhecem a dinâmica local, para que evitem aceitar corridas com destino ao interior dessas comunidades. Segundo os relatos, o passageiro que solicita a viagem para essas áreas acaba, muitas vezes sem saber, colocando a vida do prestador de serviço em perigo.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga os casos e tenta identificar os responsáveis pelas ameaças. Já a Polícia Militar informa que mantém o patrulhamento rotineiro na região e trabalha em colaboração com as empresas de transporte e entrega para mitigar os riscos. Como medida de segurança, a associação que representa a categoria disponibiliza um recurso de "botão de emergência" nos aplicativos, que permite o acionamento direto da Polícia Militar em situações de risco iminente.
Cooperativas clandestinas e financiamento do tráfico
O cenário atual remete a práticas já observadas no início do ano passado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Naquela ocasião, traficantes também proibiram a entrada de motoristas de aplicativo e chegaram a implementar uma cooperativa própria de carros e motos. Esse tipo de serviço clandestino é utilizado pelo crime organizado como uma fonte adicional de receita para financiar atividades ilícitas, substituindo o serviço oficial por um sistema controlado e tributado pelas facções.
