Jornal da Band

Roubo de cargas no Rio de Janeiro cresce 65% e eleva custo para consumidor

Dados alarmantes revelam que, somente no mês de abril, foram registrados 335 casos de roubo de cargas, o que representa uma média de 11 ocorrências por dia

LAILA HALLACK

30/05/2026 • 21:25 • Atualizado em 30/05/2026 • 21:25

O estado do Rio de Janeiro enfrenta um cenário crítico de insegurança nas rodovias. Dados alarmantes revelam que, somente no mês de abril, foram registrados 335 casos de roubo de cargas, o que representa uma média de 11 ocorrências por dia. O número revela um aumento de quase 65% na comparação com o mesmo período de 2025, evidenciando o recrudescimento da violência contra o setor de transporte.

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Um exemplo recente da vulnerabilidade das transportadoras ocorreu no último domingo, no Sul fluminense. Criminosos armados invadiram uma transportadora e subtraíram uma carga avaliada em cerca de R$ 2 milhões. Embora um suspeito tenha sido detido pela polícia, o prejuízo e a sensação de insegurança permanecem.

O crescimento da violência tem obrigado as empresas a alterar drasticamente suas operações. Para garantir a integridade dos motoristas e das mercadorias, as transportadoras estão investindo pesadamente em tecnologia, como câmeras de monitoramento, antenas via satélite e rastreadores equipados com bloqueadores que interrompem o motor caso a rota seja alterada ou haja suspeita de sinistro.

Segundo Alexandre Santos, diretor de uma transportadora, a gestão de riscos tornou-se a prioridade. "Cerca de 25% do orçamento destinado a transporte e distribuição é voltado para gerenciamento e segurança. Hoje, fazer transporte no Rio de Janeiro é uma operação de guerra", afirma Santos.

Preço chega ao bolso do consumidor

O problema não se restringe apenas às empresas de logística. Como cerca de 65% das mercadorias brasileiras são escoadas por meio rodoviário, a insegurança gera um efeito cascata que atinge o consumidor final. O custo extra com segurança privada e escoltas é incorporado ao valor do frete.

Filipe Coelho, presidente do Sindicarga/RJ, aponta que a necessidade de evitar horários de maior risco impõe restrições severas à circulação. "Você acaba circulando com restrição de horários. Quando se aumenta a restrição de circulação, perde-se produtividade. Todo esse custo de segurança mais alto é repassado ao consumidor. Quando o frete fica mais caro, o preço do produto final sobe", explica Coelho.