Jornal da Band

Sargento suspeito de matar capitão da PM tem prisão preventiva decretada

Sob comoção, capitã da PM morta pelo marido é velada em Belo Horizonte; cerimônia restrita a amigos e familiares marcou a despedida de Michele Leão de Azevedo, de 41 anos

LUCIANO DIAS

22/07/2026 • 19:42 • Atualizado em 22/07/2026 • 19:58

Sob forte comoção e em clima de profunda tristeza, familiares e amigos se reuniram em um cemitério de Belo Horizonte para a cerimônia de despedida da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, Michele Leão de Azevedo. Aos 41 anos, a policial, descrita por parentes como uma mulher alegre, amável e mãe dedicada de um menino de 10 anos, teve a carreira e a vida interrompidas em um caso investigado como feminicídio.

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Durante o velório reservado, parentes destacaram a dor da perda e relembraram o histórico de agressividade do principal suspeito do crime: o próprio marido da vítima, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos. Na data da despedida, a Justiça de Minas Gerais converteu em preventiva a prisão em flagrante do militar, após audiência de custódia.

Indícios de violência e contradições

Michele morreu em decorrência de múltiplas lesões pelo corpo e traumatismo craniano. Imagens de câmeras de segurança do edifício onde o casal morava registraram o momento em que o sargento carregou a esposa desacordada até o carro para levá-la ao hospital. No entanto, médicos que prestaram o atendimento atestaram que a capitã já estava morta há um período estimado entre 4 e 6 horas ao dar entrada no pronto-socorro.

Em depoimento, o sargento alegou que as marcas no corpo da vítima seriam fruto de agressões consentidas durante relações sexuais e que a esposa teria caído da escada do apartamento. A versão foi prontamente descartada pela perícia técnica, que não encontrou vestígios de sangue na estrutura apontada pelo suspeito.

Relatos de agressividade e investigação

A Polícia Civil já ouviu ao menos seis testemunhas, entre vizinhos e familiares. A mãe da vítima relatou que falou com a filha por telefone no dia do crime para combinarem de sair. Na ocasião, Michele atendeu a ligação falando em tom baixo, disse que estava com um problema e, em seguida, não respondeu mais às chamadas ou mensagens.

Emocionados na despedida, parentes afirmaram que o sargento demonstrava comportamento agressivo recorrente. O caso corre em segredo de justiça, e a defesa do acusado declarou que aguarda a conclusão de laudos periciais e das apurações oficiais antes de qualquer julgamento.

Campanha Band Não Se Cala

O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.

A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.