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Suposto espião russo preso em Brasília diz que foi ameaçado por integrantes do PCC

No presídio, Sergey Cherkasov foi ouvido por funcionários do governo russo e contou, no ano passado, que foi ameaçado por criminosos durante um banho de sol

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26/05/2025 20:05 • Atualizado há 516 dias

Suposto espião russo preso em Brasília diz que foi ameaçado por integrantes do PCC

Um dos nove apontados como espiões russos que se passavam por brasileiros, que está preso na penitenciária federal de Brasília, disse que foi ameaçado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele solicitou uma cela isolada dos membros da facção.

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No presídio, ele foi ouvido por funcionários do governo russo e contou, no ano passado, que foi ameaçado por integrantes do PCC durante um banho de sol. Presos da facção teriam lido uma reportagem sobre o caso e passaram a exigir favores do russo. Sergey, então, pediu para ser transferido à ala de isolamento, onde fica sem contato com outros detentos.

No total, nove cidadãos russos são investigados por forjar identidades brasileiras em diferentes países. A suspeita é de um esquema sofisticado, com raízes na Guerra Fria, e que usou registros emitidos no Brasil nas décadas de 1980 e 90 para criar essas identidades de fachada. Os detalhes da investigação foram divulgados, na semana passada, pelo jornal “The New York Times”.

Suposto espião

Um cidadão aparentemente acima de qualquer suspeita. Dezenas de documentos certificavam que ele era brasileiro. O nome? Victor Muller Ferreira. Tinha carteira de identidade, título de eleitor, certificado de alistamento militar, carteira de motorista, passaporte e até certidão de nascimento.

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Ele também tinha documentos internacionais, dos Estados Unidos e da Holanda, no mesmo nome. Mas Victor, na verdade, era Sergey Vladimirovich Cherkasov, espião russo que vivia aqui como se fosse um brasileiro.

Segundo as investigações, Sergey entrou no país em 2010 com seu verdadeiro nome, mas logo passou a usar as identidades falsas como sendo Victor. Com o passaporte brasileiro, conseguiu estudar em universidades internacionais e chegou a tentar um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, durante a invasão da Ucrânia.

Ele foi descoberto e preso ao retornar ao Brasil, em 2022. Ao Supremo Tribunal Federal (STF), confessou o uso de documento falso e manifestou interesse em ser extraditado.

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A Rússia, que o acusa de tráfico de heroína e de integrar uma organização criminosa, ofereceu cooperação em troca da extradição. Mas o ministro Edson Fachin decidiu que Sergey só poderá deixar o Brasil após o julgamento por espionagem, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Com o russo, também foi apreendido um álbum de "família", com apenas uma foto dele, entre duas mulheres - e diversas anotações pessoais em inglês em um livro.

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