
Tensão entre EUA e Venezuela eleva alerta militar, veja linha do tempo
Reprodução/Reuters
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela se intensifica e já dura três meses, gerando preocupação entre os países vizinhos, incluindo o Brasil. A crise se agrava em meio a uma escalada de ações militares e retóricas.
A linha do tempo da tensão bilateral demonstra a escalada das ações:
- Início de agosto: Os Estados Unidos classificam o presidente venezuelano Nicolás Maduro como narcotraficante e oferecem uma recompensa de R$ 273 milhões por informações que levem à sua prisão.
- Fim de agosto: A Casa Branca confirma o envio de tropas militares e navios para o Mar do Caribe.
- Início de setembro: O primeiro barco que, segundo autoridades americanas, transportava drogas para os EUA é bombardeado. Desde então, pelo menos 20 embarcações foram atacadas, resultando na morte de 83 pessoas.
- Outubro: Três aviões bombardeiros americanos realizam um voo a menos de 200 km da capital venezuelana, Caracas.
- Novembro: A Casa Branca envia o maior navio de guerra do mundo para a região.
- Início desta semana: O Departamento de Estado americano classifica o "Cartel de Los Soles" como "organização terrorista", uma medida que visa validar as ações militares na região. Maduro nega a acusação de ser líder do grupo e a própria existência do cartel.
- Última quinta-feira (27): O presidente americano ameaça iniciar uma operação terrestre na Venezuela.
- Neste sábado (29): O tom é elevado com o anúncio de fechamento do espaço aéreo venezuelano por parte dos Estados Unidos.
Durante um comício no último dia 15, Nicolás Maduro pediu paz aos Estados Unidos e chegou a cantar "Imagine", a canção pacifista clássica de John Lennon.
Justificativa e Impacto Regional
A justificativa dada pelo presidente americano para as ações é o combate ao narcotráfico. No entanto, a ofensiva impõe uma enorme pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
O anúncio de hoje, feito pela agência de aviação dos Estados Unidos, já havia provocado o cancelamento de voos de pelo menos seis companhias aéreas para a Venezuela na última semana. O fechamento do espaço aéreo aumenta o alerta na região para o risco de uma ofensiva americana em território venezuelano.
O professor de Relações Internacionais Leonardo Trevistan alerta para o risco de uma crise humanitária maior no Brasil e na Colômbia, países vizinhos. "Para o Brasil não é interessante muita pressão sobre a Venezuela. Os vizinhos da Venezuela, a Colômbia por exemplo, tem receio de que se a situação se agrave, a Colômbia já vive num quadro dramático de 3 milhões de venezuelanos lá, eu estou falando de 3 milhões! Uma guerra faria muito mais gente saindo de lá para os países vizinhos," afirma Trevistan.
O professor ainda ressalta que não ocorre uma invasão a um país latino-americano há mais de 50 anos e que "não é bom iniciar" uma ruptura desse tipo.
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