O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, suspendeu as férias nos Estados Unidos e retornou ao Brasil para tratar diretamente da crise interna entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A preocupação com os reflexos eleitorais dos desentendimentos públicos na cúpula da legenda fundamenta o retorno emergencial do dirigente ao país. Valdemar Costa Neto avalia que o entendimento entre as lideranças é vital para o futuro do grupo político e para a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nós não podemos perder a eleição, senão o Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos. Se nós não nos entendermos, nós perdemos a eleição e quem vai pagar é o Bolsonaro.
Disputa eleitoral provoca divisões no partido
O principal motivo da divergência interna envolve os acordos de palanque regional para a disputa governamental na Região Nordeste. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifesta oposição ao apoio formal do PL ao pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará, Ciro Gomes.
Paralelamente ao conflito, o senador Flávio Bolsonaro mantém o planejamento de pré-campanha e publicou um novo vídeo com acenos ao eleitorado feminino nas redes sociais. As imagens contam com a participação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques.
O nome da executiva é cotado para assumir a condução da área econômica em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na disputa pela presidência. No registro, Daniella Marques defendeu o protagonismo civil feminino, afirmando que as mulheres são fortes e não vítimas da sociedade.
Adversários criticam desentendimentos públicos
O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, cumpriu agenda em um evento no interior de São Paulo e criticou a superexposição das divergências.
Na avaliação de Ronaldo Caiado, a sociedade brasileira demonstra cansaço com debates de cunho pessoal e espera um nível mais elevado das lideranças políticas. Ele pontuou que o eleitorado deseja discutir propostas estruturais e que as disputas familiares possuem um caráter rasteiro, incompatível com a estatura esperada de um presidente da República.
Em Santa Catarina, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da cerimônia de lançamento de uma nova fragata da Marinha e defendeu a ampliação dos investimentos na área de defesa nacional. O petista, que é pré-candidato à reeleição pelo PT, justificou o fortalecimento das Forças Armadas citando as recentes declarações de expansão territorial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula disse que o Brasil não deseja conflitos internacionais com nenhuma nação, mas ressaltou a necessidade de proteger as fronteiras para evitar surpresas estratégicas. O chefe do Executivo acrescentou que o novo navio representa a consolidação da soberania e a autonomia tecnológica do país.
Outros pré-candidatos à presidência também mantiveram agendas de viagens pelas capitais e pelo interior. O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo, Romeu Zema, visitou uma feira de queijos tradicionais no território mineiro. Já o pré-candidato do Missão, Renan Santos, dividiu os compromissos políticos entre atos públicos nas cidades de São Paulo e Porto Alegre.
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